Estatais vão cobrir o rombo do Ciência sem Fronteiras

Entidades ligadas à indústria e à construção desistiram de doar 10.450 bolsas

iG Minas Gerais |

Benefício. Até o ano que vem, 101 mil universitários irão para o exterior com bolsas do programa
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Benefício. Até o ano que vem, 101 mil universitários irão para o exterior com bolsas do programa

BRASÍLIA. Estatais e bancos públicos vão bancar a maior parte das bolsas de estudo que seriam doadas pelo setor privado ao programa Ciência sem Fronteiras. Das 10.450 bolsas prometidas e não entregues pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), pelo menos 8.000 serão financiadas por Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Outras 950 deverão ser custeadas por empresas privadas. Balanço feito pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que ainda falta conseguir 1.500 bolsas para cobrir o rombo.  

Lançado em 2011, o Ciência sem Fronteiras tem a meta de conceder 101 mil bolsas de estudo até 2015, a maioria delas para alunos de graduação passarem um ano no exterior. Desse total, 75 mil serão bancadas pelo governo e 26 mil por parceiros.

O recuo da CNI e da Abdib jogou um problema no colo do governo. Somadas, as duas entidades tinham se comprometido a doar 11 mil bolsas. A Abdib, porém, desistiu e não entregou nenhuma das 5.000 que prometera. A entidade é formada pelas maiores construtoras do país, além de empresas de energia e escritórios de advocacia. A justificativa para não contribuir com o Ciência sem Fronteiras foi a falta de recursos. Já a CNI, que acenara com 6.000 bolsas, decidiu doar apenas 550.

Na tentativa de cobrir o déficit de 10.450 bolsas, o governo saiu atrás de estatais e empresas privadas. A Petrobras, que iria doar 5.000 bolsas, dobrou esse número e arcará com 10 mil, a um custo extra estimado em R$ 423 milhões. A Eletrobras subirá sua cota de 2.500 para 4.500 bolsas, enquanto o Banco do Brasil e a Caixa, que não estavam no desenho original do programa, entrarão com 500 bolsas cada.

O secretário-executivo do MEC, Luiz Claudio Costa, diz que as negociações com os novos parceiros estão adiantadas e que as 26 mil bolsas prometidas serão entregues. “Já houve o acordo, só faltam os detalhes. Isso está completamente equacionado”, afirma.

O balanço do MEC registra ainda que a Vale aumentará sua contribuição de mil para 1.500 bolsas e quatro empresas estrangeiras, da área de energia, doarão mais 450 bolsas.

Entre os parceiros que o MEC já contabiliza para compensar o recuo da CNI e da Abdib, pelo menos dois – Vale e Eletrobras – dizem desconhecer qualquer acerto para aumentar o número de bolsas doadas. O Banco do Brasil e a Caixa informaram que foram procurados pelo governo, mas ressalvaram que ainda falta formalizar o novo apoio.

Valores

Custo. Nos Estados Unidos, o valor médio de cada bolsa é de US$ 50 mil (R$ 114 mil), ante US$ 36 mil (R$ 82 mil) na Europa. O investimento total no programa é estimado em US$ 3,2 bilhões.

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