Slogans bizarros são aposta para se destacar de “figurões”

Candidatos a deputado estadual e federal Brasil afora usam criatividade e abusam de trocadilhos

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Tem diabo que aconselha a votar no capeta se a coisa está preta, marciano dizendo que é melhor do que os humanos que estão no poder e até quem tente levar a disputa com uma cartada de truco: “zap neles”. Quem acompanha o horário político já identificou os postulantes que, para dizer o mínimo, não poupam bom humor para chamar a atenção do eleitor com slogans esdrúxulos.  

A receptividade de quem está do outro lado da televisão ou do rádio é imprevisível. Alguns eleitores podem interpretar como deboche, outros irão valorizar o discurso diferenciado. Unânime mesmo é a defesa que os candidatos fazem do argumento de que se trata de estratégia para se destacar entre centenas de concorrentes dentro dos poucos segundos a que têm direito na propaganda gratuita.

“Se os da terra não fazem, o Marciano faz”, promete o candidato a deputado federal em Minas. O aposentado de Sete Lagoas José Marciano Teixeira (PSDB) usa em seu material de campanha uma nave espacial. “Preciso me diferenciar, pois para ser eleito precisaria de R$ 5 milhões, que eu não tenho”.

Não menos espirituoso é o mineiro Cesar Carolina (PT), que, depois de convocar diversos setores para luta, finaliza com o que pode ser o seu xeque-mate, ou melhor, a cartada certeira no jogo eleitoral: “Passa a régua e, ó, zap neles”.

A sua maneira, Chiquinho Maciel (PT–MG) também propõe um outro tipo de golpe para conquistar os eleitores insatisfeitos com os atuais parlamentares: “chibatada na política”, diz o petista no vídeo, ao dar uma chibata na mão.

O delegado Edson Moreira, hoje vereador de Belo Horizonte, recorreu a uma famosa frase sua durante o caso do assassinato de Eliza Samudio pelo goleiro Bruno. “Vote pela sua segurança, se não você vai morrer”.

O humorista mineiro Geraldo Magela Ceguinho (PSB) também usa do bom humor para chegar a Brasília. “Se a Justiça é cega, se o amor é cego, se já tivemos um presidente cego, agora vote no deputado cego. Esse é belezzz!!!”, finaliza com o seu bordão. “Tenho carisma. Se eu ganhar, serei um fenômeno. Não tenho patrocínio, meu partido é pequeno”, diz o socialista.

O famoso ator de filme pornô Kid Bengala, que almeja uma vaga na Assembleia de São Paulo, “ameaça” os eleitores. “Bengala neles, se não votarem em mim”.

Já o candidato a deputado federal pelo PMDB Mister M promete acabar com os problemas num passe de mágica. “Mister M não é mistério. É trabalho sério, um passe de mágica contra a corrupção no Brasil”, diz o mineiro. Quem assiste ao seu concorrente Mauro (DEM-MG) fica na dúvida se ele recorre ao humor ou ao excesso de sinceridade. “Não sei o que um deputado faz. Só vou descobrir se você votar em mim”, diz.

Recorrer a piadas pode denotar falta de respeito A maior parte dos postulantes, segundo especialistas, se norteia pela cartilha do fenômeno Tiririca, o deputado federal que se elegeu com mais de 1 milhão de votos com o slogan “pior do que tá não fica”. Neste ano, seu mote é “Tá de saco cheio da política? Vote no Tiririca”. Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleisher, essa tática de diferenciação é um risco. “Funciona mais quando a pessoa já é conhecida, como o Tiririca. O eleitor está cansado do arroz com feijão. Às vezes, gosta dessa pimenta, mas não é unânime. Muitos podem interpretar como falta de respeito”, afirma. Segundo Fleisher, este tipo de apelo tem mais adesão entre os jovens. A professora da Fundação Getúlio Vargas Luciana Saldanha acredita que, num primeiro momento, os eleitores podem achar graça nos slogans, mas não levam esses candidatos a sério. “O slogan faz parte do conceito da campanha e deve passar credibilidade. Política é coisa séria. Piadas podem soar mal”, diz.

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