‘Eu me sinto usada’, diz mulher

iG Minas Gerais | Marlise Simons |

Haia. Em Belgrado, a Testemunha B-129 e seu marido tinham casa própria. Ela era dona de uma escola de idiomas, e ele trabalhava para uma organização de ajuda internacional. Agora, eles não podem mais exibir seus diplomas e tiveram que aceitar trabalhos malremunerados e se revezam nos cuidados dos três filhos, nascidos no exílio. As dívidas só crescem, e os atrasos no pagamento do aluguel fizeram com que fossem processados, afirmou a mulher.

Há cinco anos, quando foi pressionada a testemunhar em um segundo julgamento, ela fez o promotor e os policiais que cuidam do caso prometerem que iriam vender seu apartamento em Belgrado para que ela pudesse pagar suas dívidas. Atualmente, ela espera pela venda do imóvel, enquanto um emaranhado de documentos vai e vem entre o tribunal e a polícia. “Não posso recorrer a nenhum tipo de ajuda legal porque não sou criminosa”, afirmou, com um sorriso fraco. A polícia concedeu um empréstimo como adiantamento pela venda do apartamento. Neste ano, com passaportes e nomes novos, o casal viajou para a Sérvia, pela primeira vez desde que saíram, há 11 anos. Mas a Testemunha B-129 não consegue se livrar da sensação de que o sacrifício foi em vão. Milosevic morreu na prisão em 2006, antes do fim do julgamento. Duas autoridades sérvias contra as quais ela testemunhou foram absolvidas recentemente. “Eu me sinto usada”, disse. “Eles estão livres na casa deles, e eu estou presa nessa vida. Minha situação é muito pior, e não cometi crime algum”.

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