Sem Chick, um beijo partido

Com a ausência de pianista norte-americano, Toninho Horta leva para a praça Tiradentes show com seu repertório

iG Minas Gerais | Júlio Assis |

Palco. Toninho Horta e sua Orquestra Fantasma no palco do festival MIMO na praça Tiradentes, na noite de sexta-feira em Ouro Preto
Festival MIMO divulgacao
Palco. Toninho Horta e sua Orquestra Fantasma no palco do festival MIMO na praça Tiradentes, na noite de sexta-feira em Ouro Preto

Ouro Preto. A tarde e a noite de sexta-feira foram de lamentações por quem estava em Ouro Preto para assistir na praça Tiradentes ao show do pianista norte-americano Chick Corea e sua banda, na primeira noite do festival MIMO de música instrumental. Logo depois do almoço se confirmou a notícia que desde a madrugada deixava aflita a direção do evento. Chick fez show em Buenos Aires quarta-feira e em razão da greve-geral na Argentina, teve dificuldades de deixar o país, por isso não conseguiu chegar a tempo em Ouro Preto e foi direto para São Paulo, onde faria show neste sábado.  

Drama sem volta, a direção propôs e o guitarrista e compositor Toninho Horta aceitou de bom grado transferir para a praça Tiradentes o show que apresentaria na Igreja do Pilar. Ele explicou que não modificaria o que havia preparado. “Vamos fazer o show tocando sentados, com o mesma clima de concentração que preparamos para a igreja”, disse.

Acompanhado da Orquestra Fantasma e com as participações de Jaques Morelenbaum (violoncelo) e Rudi Berger (violino), iniciou com “Dona Olímpia”, uma das músicas que compôs nos anos 70 para o documentário de Luís Alberto Sartori sobre a mulher que marcou a vida de Ouro Preto naquela época.

E seguiu com músicas de seu repertório como “Viver de Amor”, “Serenade”, “Quadros Modernos”. Alternou solos com o violinista Rudi Berger e com a flautista Lena Horta. Em “Igreja do Pilar”, o solo de Morelenbaum na abertura valeu a participação do músico.

Mais cedo, em bate-papo com a imprensa, Toninho contou que o reencontro com o violoncelista veio com um projeto de um quarteto formado para apresentações no Japão. “Eu criei essa ideia para que o Liminha (baixista) tocasse no Japão, onde já me apresentei 32 vezes e também o Jaques e o Marcos Suzano (percussionista) foram várias vezes lá. Fizemos e ficou muito bom, só não saiu o disco ainda porque o Liminha ainda não finalizou”. A partir daí Morelenbaum tem feito alguns shows com Toninho.

O músico falou também sobre a perspectiva de lançar no ano que vem o seu esperado “Livrão da Música Brasileira”, para o qual acertou parte de patrocínio com a Fapemig.

Palco. Voltando à praça Tiradentes, a apresentação oscilou algumas problemas técnicos do som no início, se acertando depois. O guitarrista homenageou Chick Corea e falou da responsabilidade de substitui-lo.

Antes do bis, Toninho cantou uma de suas músicas mais populares, “Manuel, o Audaz”, que o público acompanhou. Ao retornar para as últimas de despedida, comentou: “Agora que o som acertou, vamos lá”. E interpretou “Beijo Partido” já com a praça Tiradentes quase inundada por um nevoeiro no fim da fria noite de sexta-feira.

Neste sábado à noite o MIMO apresentaria as primeiras atrações de seu principal traço que é a realização de shows nas igrejas, nos templos da Igreja do Rosário e Igreja São Francisco de Assis.

Outras atividades estão sendo realizadas desde sexta-feira, como mostras de cinema exibindo filmes com temática musical, sob curadoria de Rejane Zilles, e programação para crianças, como ocorreu com a participação do Duo Milewski (violinista Jerzy Milewski e a pianista Aleida Schweitzer) e o bonequeiro Mr. Bruno. E no Forum de Ideias a atração foi o poeta Chacal que falou sobre Poesia em Perspectiva.

O jornalista viajou a convite do MIMO

Neste domingo 15h - Praça Tiradentes, pianista capixaba Hercules Gomes 16h30 - Praça Tiradentes, Trilok Gurtu Band (Índia) 20h - Igreja do Carmo - Marco Pereira & Toninho Ferragutti

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave