Diversidade contemporânea

Exposição “Singularidades/Anotações: Rumos Artes Visuais 1998-2013” tem obras de três artistas mineiros

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Continental. 

Exposição consegue contemplar artistas das cinco regiões do país, como Fabricio Lopez
Reproducao / Fabricio Lopez
Continental. Exposição consegue contemplar artistas das cinco regiões do país, como Fabricio Lopez

A produção brasileira de artes visuais dos últimos 15 anos ganhou uma exposição temática, promovida pelo Itaú Cultural. “Singularidades/Anotações: Rumos Artes Visuais 1998-2013”, que abriu na última quinta-feira, em São Paulo, traz 60 trabalhos de 35 diferentes artistas de diversas regiões do Brasil.

Ainda que proponha um recorte temporal muito claro, não é possível estabelecer uma temática que una as criações. “A exposição prima pela diversidade”, garante Paulo Myiada, um dos curadores da retrospectiva, ao lado de Aracy Amaral e Regina Silveira.

Não é por acaso, já que as dimensões continentais do Brasil são capazes de gerar uma diversidade cultural imensa. No entanto, a fusão de estilos e as idas e vindas de artistas faz com que essa pluralidade se torne ainda maior, por criar gêneros híbridos. A arte contemporânea brasileira é fruto dessa miscelânea criativa e desses fluxos, é o que crê Myiada.

“É difícil dizer que um artista pertença a este ou àquele lugar hoje em dia. Esse regionalismo está, cada vez mais, diluído. Nós temos casos de artistas que fazem uma trajetória de vida que passa por várias cidades, algumas fora do Brasil. Como dizer que a arte deles é do Rio, do Amazonas ou do Recife?”, questiona o curador.

Com 17 anos de fomento aos artistas, Myiada vê uma realidade diferente hoje daquela de quando o programa começou. “Para muitos artistas, era a primeira vez que tinham a oportunidade de sair e expor seu trabalho fora do seu Estado de origem. Hoje em dia as conexões, as redes de trocas e as possibilidades de intercâmbio estão muito mais amplas”, comenta.

Ele considera que a formação desses novos artistas também ganhou desdobramentos. “Pelos relatórios de edições anteriores do Rumos, é possível observar que os artistas tinham poucas opções de formação, de caminhos a seguir. Chegava a ser previsível que em determinada cidade, ele teria essa ou aquela opção. Hoje em dia não. As possibilidades são múltiplas”, garante.

Em 2015, a exposição passará por Fortaleza, Rio de Janeiro e chegará em Belo Horizonte, sem previsão de data, nem local, por enquanto.

Daqui. Três dos artistas selecionados pelo programa Rumos são de Minas Gerais e uma é a espanhola Sara Ramo, há muito radicada em Belo Horizonte. “Há uma produção interessante dos artistas daí”, comenta o curador, a respeito de Cinthia Marcelle, João Castilho e Marcellvs, além de Sara. Ao olhar para a trajetória de cada um é possível entender o eixo curatorial, que privilegia a diversidade. “O João Castilho vem da fotografia e transita pelas instalações, Cinthia Marcelle aborda temáticas densas, assuntos desafiadores, com a delicadeza de seu trabalho, e Marcellvs dá à videoarte uma qualidade altíssima, de montagem, de áudio”, assim pensa Myiada.

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