Muita sorte na comédia

Ator e humorista vive momento especial na carreira, trabalhando com sucesso na televisão e no cinema

iG Minas Gerais | luana borges |

Vantagens. Hassum conta que trabalhar em novelas é uma oportunidade de conhecer mais gente e fazer mais amigos
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Vantagens. Hassum conta que trabalhar em novelas é uma oportunidade de conhecer mais gente e fazer mais amigos

O humor de Leandro Hassum é histriônico. E o ator sabe exatamente como tirar proveito disso. Desde que ficou conhecido na TV, por meio de programas como “Zorra Total” e “Os Caras de Pau”, o comediante utilizou bem sua persona exagerada para ir além de um simples humorístico e chegar às novelas, na pele de Barata de “Geração Brasil”. Aos poucos, se tornou não só um nome de ponta do humor da Globo, mas um ator disputado por diversos núcleos dentro da emissora. Além de um dos intérpretes mais rentáveis do cinema nacional, em comédias como “Até que a Sorte Nos Separe” e “Vestido Pra Casar”. “Eu sempre fui o engraçado da turma, fui expulso de três colégios. Era baderneiro, um inferno! Fui para o teatro como terapia para me acalmar, mas me apaixonei”, recorda. Criado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Hassum é um comediante sem firulas e parece não sofrer da principal crise existencial de muitos atores que se descobrem no humor: querer mostrar que pode fazer drama. No início da carreira, ele bem que tentou se envolver em espetáculos densos. Interpretou textos de Nelson Rodrigues e Anton Tchekhov, entre outros. Mas, durante as apresentações de “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plínio Marcos, teve o insight de que deveria se voltar para a comédia. “Entendi que eu tinha uma pré-disposição para a comédia. A gente aprende técnica, mas se você não nasce com uma respiração, uma pontuação de comediante, não adianta forçar a barra. Eu nasci com essa pontuação e não vou brigar contra isso”, afirma. “Geração Brasil” marca sua estreia em novelas com um papel fixo. Depois de atuar em programas humorísticos, como foi se adaptar a um folhetim? A transição foi muito boa. Eu acho que toda a produção e os diretores tiveram a inteligência de me introduzir na novela como se fosse quando a gente compra peixe na feira para botar no aquário. Primeiro, coloca o saquinho com o peixe dentro do aquário e depois você abre o saquinho e solta o peixe. Acho que eles estão sendo muito generosos nesse sentido porque o humor que estou fazendo, apesar de eu estar trabalhando mais a emoção, fazendo o coitadinho que é apaixonado, tem muito da minha comédia. Então, foi uma transição bem tranquila. Mas, em algum momento, chegou a estranhar o ritmo de trabalho? Eu sempre trabalhei em programa muito autoral, em que eu era o dono do programa, chegava, gravava todas as cenas e ia embora. Quando você vem para um esquema de novela, você grava o primeiro item, o sexto, o décimo primeiro. Essa espera, realmente, é uma coisa com a qual ainda estou me adaptando e aprendendo a lidar porque, na verdade, é uma engrenagem com muito mais peças do que no meu programa. Antes, tudo era direcionado para mim e o restante do elenco ficava esperando a sua vez. Na novela, essa espera realmente é angustiante, às vezes. Mas é maravilhoso, estou gostando muito e quero repetir. Antes de fazer, muitas pessoas falavam: “Vai fazer novela? Você vai odiar, vai querer sair correndo”. Não, estou adorando. Em que sentido? Você forma um grupo de amigos maior, conhece muito mais gente. Além disso, percebe as diferenças entre fazer linha de show e fazer novela. O fato de você não saber o final da história é muito instigante porque você vai tentando descobrir para onde seu personagem vai. Em cena, você costuma ser o responsável pela piada, o que cria uma expectativa de que sempre será o engraçado. De alguma forma, se sente pressionado por isso? Sempre tem o palhaço que é o engraçado e o palhaço que levanta a piada. Eu realmente sou o cara que faz a piada. Acabo ficando mais com essa função, mas é desgastante demais. Você tem a obrigação, as pessoas já entram no estúdio pensando no que eu vou fazer de engraçado. Outro dia, gravamos três cenas em que o Barata descobre que a Verônica está com o Jonas Marra. E fiz de uma forma mais séria. Falaram: “Nossa, você está sério hoje”. 

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