Totalmente demais

“Esse Artista Sou Eu”, nova atração do SBT, reafirma poder da emissora de Silvio Santos de soar tosco e exagerado

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Comando. Márcio Ballas é o responsável em apresentar “Esse Artista Sou Eu”, atração do SBT
Foto: Gabriel Cardoso
Comando. Márcio Ballas é o responsável em apresentar “Esse Artista Sou Eu”, atração do SBT

Salvo raras exceções, como o “The Noite” e o “De Frente Com Gabi”, o SBT sempre tende a exagerar na breguice de suas produções. Com cenários toscos e iluminação sempre fora do tom, cada programa lançado pela emissora de Silvio Santos parece querer usar todas as cores, figurinos, maquiagem e efeitos disponíveis. É assim desde clássicos de alma kitsch, como “Porta da Esperança” e “Show de Calouros”, e sempre será. Da união entre o esquema de produção da emissora à fixação por programas de talento, surge “Esse Artista Sou Eu”, exibido todas as segundas e utilizado para substituir outro show de talentos, o “Máquina da Fama”, de férias por conta da licença-maternidade da filha de Silvio, Patrícia Abravanel.

Original da Espanha e de propriedade da produtora holandesa Endemol, o “novo” programa se difere do apresentado por Patrícia apenas por colocar famosos para personificar astros da música. Quer dizer, na teoria, celebridades seriam convidadas para o programa. No entanto, o SBT repete em “Esse Artista Sou Eu” a mesma seleção de pessoas conhecidas do reality show “A Fazenda”, da Record: quanto mais irrelevante, melhor. Entre o elenco da primeira temporada, estão nomes como a roqueira Syang e os cantores Léo Maia e Vanessa Jackson.

Tecnicamente, o programa segue o mesmo formato de outros já conhecidos do público, como “Astros” e “Qual é o Seu Talento?”: time de jurados e pequena plateia sem grande conexão com o que está sendo exposto. São os jurados desses dois programas que, inclusive, voltam ao ar na emissora. Sem grandes novidades, Ciz, Miranda e Thomas Roth fazem mais do mesmo e precisam encarar muita gente desafinada. Até porque o time de pessoas conhecidas do universo da música não manda nada bem quando o assunto é se apresentar ao vivo. Syang personificando o norte-americano Axl Rose consegue ser pior que o atual desempenho do líder do Guns N’ Roses. Blacy Gulfier, preparador vocal do programa, bem que tenta ajudar em notas mais difíceis, mas não consegue fazer milagres. A única que mostra seu canto de forma satisfatória é Rosemary.

Apresentado por um histriônico Márcio Ballas, nada em “Esse Artista Sou Eu” poupa o telespectador. Além de tosco, a sensação de ser igual a tudo o que o SBT já fez incomoda. Tanto que chega a ser irônico a emissora ter pagado para a Endemol para utilizar um formato há muito explorado por ela mesma. Seria mais rentável e criativo se o departamento artístico da emissora colocasse no ar uma reprise – outra atitude bem comum no canal – do saudoso “Show de Calouros”. Ver o exagero genuíno de Pedro de Lara, Décio Pitinini, Elke Maravilha e as inúmeras performances de transformistas seria mais honesto.

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