Melhorou muito, diz Malafaia sobre revisão de programa do PSB

Líder evangélico, no entanto, afirma que peça ainda cumpre "agenda do ativismo gay"

iG Minas Gerais | Da Redação |

Após diversos ataques ao programa de governo da presidenciável Marina Silva (PSB), o pastor Silas Malafaia, líder da igreja evangélica Assembleia de Deus Vitória em Cristo, diminuiu o tom e disse à Folha neste sábado (30) que as propostas da pessebista "melhoraram muito" depois das modificações, mas ainda cumprem "a agenda do ativismo gay". "Tenho que ser honesto. Melhoraram muito. Ela não fez essa correção por causa das minhas críticas, eu sei que não. Não sou falso humilde nem besta soberbo. Ela fez porque sabe que não pode contrariar o povo evangélico. Até o mais ignorante dos evangélicos sabe o que é um casamento gay", afirmou o pastor. "Decidimos qualquer eleição", completou. Malafaia tem criticado a candidata no Twitter desde esta sexta-feira (29), quando a campanha pessebista divulgou o planejamento para um eventual governo e incluiu a defesa do casamento gay, da criminalização da homofobia e da lei de identidade de gênero –que permite alteração de nome e sexo na documentação. Entre as críticas, o pastor disse que "é uma vergonha o programa de governo do PSB de Marina" que "apoia descaradamente o casamento gay". Neste sábado, a coligação da candidata voltou atrás e eliminou ou alterou trechos em que se comprometia em articular com o Congresso a aprovação de matérias sobre o tema. Ainda assim, Malafaia afirmou que Marina "corrigiu palavras mas a essência é a mesma" e que "aguardava um posicionamento da candidata" antes de se posicionar aos fiéis da igreja. "Ela não tem que agradar todo mundo. Os programas do PT e do PSDB falam de coisas genéricas, como 'defender o direito de minorias', enquanto a agenda dela usa a fala do movimento gay. [Melhor] Diz[er] que vai defender minorias e deixa[r] o pau quebrar no Congresso, que é onde estão representados todos os segmentos da sociedade", afirmou. Marina falou sobre o tema em agenda de campanha na Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, na tarde deste sábado. Segundo ela, "o texto que foi para redação foi a parte apresentada pelos movimentos sociais". "O texto que foi publicado não é o que havia sido acordado. O que fizemos é apenas retornar ao texto da mediação, da mesma forma que aconteceu na questão nuclear. Os próprios coordenadores fizeram a revisão", afirmou. Em seguida, defendeu a laicidade do Estado. A presidenciável é evangélica, devota da Assembleia de Deus e disse, em 2010, ser pessoalmente "não favorável" ao casamento gay, embora afirmasse que as pessoas "tinham o direito de defender essas bandeiras". Em julho, Malafaia divulgou que apoiava o candidato pastor Everaldo (PSC) para presidente. Ele diz que ainda não tem candidato para o segundo turno e afirma que continua esperando ouvir declarações de Marina sobre o programa. "A verdade é que não queremos ter mais privilégios que ninguém", disse, citando tópico do programa que afirma "assegurar que os cursos e oportunidades de educação e capacitação formal considerem os anseios de formação da população LGBT para garantir ingresso no mercado de trabalho". "Então eles vão privilegiar alguém? Do jeito que está vai ter cota para gay", questionou.  

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