Marrom de volta ao samba

Alcione apresenta canções do seu último disco hoje à noite, interpretando de Djavan e Zeca Pagodinho a Ana Carolina

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Sambas. A cantora Alcione vai interpretar um conjunto de sambas novos, além de revisitar antigos parceiros como Arlindo Cruz
Marcos Hermes/Divulgação
Sambas. A cantora Alcione vai interpretar um conjunto de sambas novos, além de revisitar antigos parceiros como Arlindo Cruz

 

A cantora Alcione, de berço maranhense, não se contenta em acumular 350 troféus de prêmios musicais ou de ter sido agraciada com 21 Discos de Ouro em 42 anos de carreira. “Troféus e números não significam muita coisa. Me sinto na obrigação de dar uma satisfação ao público o tempo todo, criar coisas novas, reinventar o repertório”, diz. É por isso que o show do disco “Eterna Alegria” (2013), que a Marrom apresenta hoje à noite, no Chevrolet Hall, recoloca a cantora no hall do repertório de samba, cantando composições de parceiros como Arlindo Cruz, mas propiciando novos encontros para a MPB.

Depois de se entregar inteiramente às canções românticas nos últimos discos, como “Acesa” (2009) e o mais recente álbum duplo, “Duas Faces” (2011), Alcione volta a interpretar sambas expressivos em “Eterna Alegria” (Marrom Music/Biscoito Fino), o 38º disco da carreira da cantora, que ainda não pensa sobre chegar à marca de 40 discos gravados. “Pode acontecer, mas nem penso nisso. Tenho 42 anos de carreira e vivi a euforia dos primeiros discos, primeiros shows há tempos. À esta altura da vida, me importa é o que canto hoje, agora, não amanhã”, dispara.

Apesar de estar imersa novamente nas rodas de samba, a Marrom garante que o show não vai ser dominado apenas pelos batuques de malandros cariocas. “Eu quero fazer algo intimista, com meus sucessos de vários estilos, além de mostrar os sambas lindos desse disco, que tenho pensado ser o meu melhor trabalho de samba nos últimos tempos. Às vezes canto o que o público pede também, independente do roteiro. É o que faz o show ter um andamento e um clima mais natural”, adianta a cantora.

No repertório, ela mostra algumas pérolas do novo disco, como “Amor Surreal”, de Michael Sullivan e Carlos Colla – balada que ganhou as rádios do país no ano passado e foi trilha de novela global. Também da nova leva de sambas, Alcione ainda ressalta “Pontos Finais”, presente de Ana Carolina para ela, em parceria com os letristas Chiara Chivelo e Dudu Falcão (“nunca tinha trabalhado com a Ana, mas ela sempre foi uma referência moderna para mim, tem uma voz incrível e uma estética musical muito sensível também”), pontua Alcione.

Destaque também para a parceria inédita entre o compositor Djavan e Zeca Pagodinho na melancólica “Ê, ê”, além de uma homenagem ao cantor Emílio Santiago, amigo da cantora, que é lembrado na também inédita “Magia do Palco”, de Altay Veloso. “A parceria do Zeca e do Djavan foi um pedido meu, queria ver dois músicos que admiro profundamente compondo juntos só para ver no que dava. E há muito tempo eu queria homenagear o Emílio, esse meu irmão, como ele me chamava também, com uma música que ele mesmo sugeriu o nome há muito tempo”, atesta.

Sem deixar sucessos radiofônicos como “Meu Ébano” e “Estranha Loucura” de fora da apresentação, Alcione também vai entoar famosos sambas das décadas de 1970 e 1980, como o hino “Não Deixe o Samba Morrer” (Edson Conceição e Aloísio, 1975), além de duas músicas que ela preparou especialmente para Belo Horizonte, “Sete Véus” (Fátima Guedes, 1999) e “Pintura Sem Arte” (Candeia, 1999). “Vai ser um barato mais um show em BH, que sempre me acolheu muito bem, apesar de ser um público exigente. Essas duas músicas são daquelas que considero xodó no repertório, sempre faço isso nas cidades onde canto. E o samba é igual ao Maranhão. Eu posso sair dele, mas ele nunca sai de mim”, compara a cantora.

 

Parcerias

Disco. Mesmo sem pensar em um próximo disco comemorativo, Alcione tem um desejo: gravar com nomes da nova geração. “Fiz a turnê do ‘Viva o Samba’ com o Diogo Nogueira e a Roberta Sá. Foi incrível e sei que tem muita gente boa para eu me alinhar em um futuro disco”, afirma a cantora.

Agenda

O QUE. Show Alcione

ONDE. Chevrolet Hall (avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi)

QUANDO. Hoje, às 22h

QUANTO. R$ 400 (mesa do setor I), R$ 360 (mesa do setor II), R$ 80 (arquibancada inteira) e R$ 40 (arquibancada meia-entrada).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave