“O setor privado vê o intervencionismo e não investe”

Mauro Rochlin Professor de economia no MBA Fundação Getúlio Vargas

iG Minas Gerais | Ludmila Pizarro |

ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA/DIVULGA
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O Brasil está em recessão técnica?

Sim. É uma convenção entre economistas que a queda do PIB por dois trimestres consecutivos configura recessão técnica. Porque um trimestre seria pouco tempo para demonstrar uma tendência, poderia ser uma coisa efêmera, fortuita, um problema localizado. Já dois trimestres podemos dizer que é uma tendência de fato, a economia está em clara redução.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, afirmou na semana passada que não existia crise econômica, que poderíamos falar, no máximo, em desaceleração. Essa análise ainda é possível?

Não. Tecnicamente, não tem mais fundamento. A recessão é uma realidade.

O senhor cita quatro “erros decisivos” do governo federal nos setores de combustíveis, energia, câmbio e concessões que motivaram a queda no PIB. Quais são esses erros?

No combustível, o erro está em segurar o preço da gasolina há nove anos. Podemos falar em congelamento. Isso sinaliza para o setor privado um intervencionismo exagerado do governo federal. Assim ele perde a confiança do setor privado e os investimentos caem. Isso também afeta os resultados da Petrobras. No setor de energia é a mesma coisa. O governo federal forçou uma queda de preços em um momento bastante inoportuno. Com a escassez de chuvas, as hidrelétricas não conseguem produzir a energia necessária, estamos produzindo com termelétricas, e o governo não autoriza o aumento de preço. As distribuidoras estão se endividando com a promessa de que os preços vão subir no futuro. Mais uma vez, o setor privado vê o intervencionismo excessivo e não investe.

E no caso do câmbio?

O dólar estaria muito mais alto se não fossem as ações do governo, e com o dólar mais alto, a indústria não estaria passando por esse momento difícil, e o PIB não teria caído tanto.

Nas concessões, onde o governo errou?

As concessões foram mal conduzidas. Os investidores consideraram as taxas de retorno muito baixas e não entraram nos leilões, principalmente, nas ferrovias e rodovias. Alguns trechos não tiveram nenhuma empresa interessada porque a política de retorno do governo não era atrativa.

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