Invasão de privacidade

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Tenho uma amiga que um tempo atrás comentou sobre o quanto está farta de tecnologia. Ela explicou que no passado era muito mais fácil não ser encontrada e que hoje em dia o celular, o e-mail e outras modernices se encarregam de deixar-nos em constante disponibilidade. Concordo com ela em termos. Também acho que antigamente era mais fácil se tornar invisível, mas eu não troco isso pela facilidade de comunicação atual. Não consigo imaginar como eu conseguia sair de casa sem levar o celular. E se o pneu furasse? E se alguém passasse mal? E se eu ganhasse na loteria, como iriam me avisar imediatamente? Internet, então, é algo que eu realmente não sei como vivia sem. E-mails, mensagens de celular e recados nas redes sociais devem ser responsáveis por 70% da comunicação que eu tenho atualmente. Telefone se tornou um mero coadjuvante... Hoje em dia, os telefonemas que recebo, na maior parte das vezes, são assim: – Está no chat? – Não, mas o computador está ligado, por quê? – Fica on-line aí que eu quero te falar uma coisa. – Já estou ligando! Beijo, tchau! Realmente, o que ganhamos em acessibilidade, perdemos em privacidade. A última certeza disso veio com a moda de visualização de mensagens. No WhatsApp dá até briga! Duas marquinhas é sinal de que a pessoa leu ou simplesmente de que as nossas palavras chegaram em seu celular? Cada um fala uma coisa e até hoje eu não sei a verdade... No Facebook não é muito diferente. Basta abrir uma mensagem para que ela apareça como visualizada. Mas e se eu estiver muito ocupada para responder naquele momento? Vai parecer que eu esnobei a pessoa! Outra coisa que assusta nesse mundo tecnológico é o quanto estamos vulneráveis em termos de proteção. Volta e meia o meu antivírus acusa a chegada de e-mails infectados, e são incontáveis os meios que os famosos “hackers” usam para invadir computadores alheios na tentativa de roubar senhas e outras informações úteis. Meu telefone celular já foi clonado duas vezes. Meus cartões de crédito umas quatro. Minha prima teve uma vez sua conta de banco saqueada e só descobriu um dia depois, quando a gerente telefonou perguntando se ela tinha feito saque tão alto, mesmo sem ter a quantia disponível. Os bancos já estão até acostumados com essas ameaças, pois a tranquilizaram e ela nada sofreu com isso, além do susto. Apesar dessas pragas atuais, eu não me fartei ainda dessa modernidade. Desde que a internet, a televisão a cabo, os telefones celulares apareceram, minha vida ficou bem mais fácil e ágil. Claro que tem hora que dá saudade de escrever uma carta de próprio punho em vez de digitar, ou de ouvir um disco de vinil em vez de uma MP3. Mas, saudosista como poucos, sempre tenho um caderno para anotar o que me vier à cabeça e o meu toca-discos ainda funciona perfeitamente. O bom dessa era tecnológica é que ela mesma nos dá alternativas para o cansaço. Quando eu não quero ser encontrada, simplesmente desligo meu celular. E quanto aos avisos de recebimento de e-mail, eu simplesmente clico em “não enviar”. Vejo os e-mails na hora que eu puder lê-los com calma. E se eu recebi ou não, você só ficará sabendo se eu responder. Apesar da exposição que o mundo virtual nos proporciona, ainda precisamos guardar algum mistério nessa vida e eu prefiro voltar ao século passado do que perder a chance de ser surpreendida de vez em quando...

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