MG tem bons índices de vacina

Instituto lançou nesta sexta seu compilado anual de análises e indicadores das mais diversas áreas

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Minas Gerais tem a segunda melhor taxa de cobertura de vacinação entre os Estados da região Sudeste do país. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os mineiros ultrapassaram, no ano passado, a meta de 95% de aplicação em quatro de cinco importantes vacinas: tuberculose (BCG), tríplice viral, contra poliomielite e contra hepatite B.  

Para a estudante Gabriela Queiroz, 26, mãe de Antônio, 4 meses, a vacinação é uma das prioridades no cuidado com o bebê. Gabriela conta que faz questão de que o filho esteja com as vacinas em dia, para prevenir o surgimento das doenças. “O médico me orienta sobre as vacinas, e, sempre que dou uma dose, já marco a próxima”.

Assim como Gabriela, milhões de mães mineiras estão atentas à importância da vacinação no primeiro ano do bebê. De acordo com o IBGE, no Sudeste, Minas perde apenas para o Espírito Santo, que, com exceção da BCG, conseguiu taxas acima de 96% de vacinação. Considerando a vacina contra poliomielite, Minas ocupa a 9ª melhor posição do Brasil. Apesar da boa notícia em relação à cobertura vacinal, o Brasil apresentou, também em 2013, um dado preocupante no que se refere a internações e mortalidade hospitalar. Segundo informações do Ministério da Saúde, 415 mulheres morreram vítimas de algum procedimento obstétrico no ano passado. “Mesmo que a proporção não seja significativa em relação aos outros índices de mortalidade hospitalar, trata-se de um número absoluto alto, devido ao baixo risco, que por isso precisa ser investigado”, avaliou o doutor em bioinformática e professor do UniBH Bráulio Couto. Levantamento. Os índices de cobertura vacinal e mortalidade hospitalar fazem parte do 22º volume do livro “Brasil em Números”, lançado nesta sexta pelo IBGE no Instituto Inhotim, em Brumadinho, na região metropolitana. A publicação anual é um compilado de estatísticas já divulgadas anteriormente pelo próprio IBGE e por outras instituições, apresentado junto a análises de professores e pesquisadores de diversas áreas. Na edição de 2014, as informações são divididas em 22 temas, incluindo características populacionais, sociais e econômicas do país. “O objetivo é fazer um retrato do Brasil, para apresentar a estudantes, pesquisadores e estrangeiros um pouco do perfil, dos avanços e das potencialidades do país”, ressaltou a presidente do IBGE, Wasmália Bivar. 

Inhotim Livro. O “Brasil em Números” é uma publicação bilíngue (português e inglês) e, na edição de 2014, vem ilustrado com fotografias de obras de arte do Inhotim na abertura de cada capítulo.

Incidência de Aids crescente A taxa de incidência de Aids no Brasil, que esteve estabilizada em aproximadamente 12 casos por 100 mil habitantes entre 2002 e 2007, iniciou crescimento em 2008 e chegou a 18 casos por 100 mil em 2011, segundo o IBGE. Quando se comparam os períodos de 2002-2007 e 2008-2012, observa-se aumento de 32% na incidência da doença no país. Para o doutor em bioinformática e professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) Bráulio Couto o fenômeno indica a necessidade de se investigar se está havendo um descuido da população em relação ao problema. Projeção da população O Brasil atingiu a marca de 202,7 milhões de habitantes neste ano, e a estimativa é que, em 2017, a população chegue aos 207.660.929 habitantes. Segundo o IBGE, a esperança de vida ao nascer, que há dez anos era de 71,58 anos, deve atingir os 75,99 anos. Enquanto isso, estima-se que a taxa de fecundidade, que era de 2,14 filhos por mulher em 2004, seja de 1,67 em 2017. De acordo com a professora Paula Miranda Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a mudança da distribuição etária ao longo do tempo indica que a população brasileira está envelhecendo cada vez mais.

Pobreza generalizada Quase 70% da população brasileira não tinha nenhum rendimento ou recebia menos de dois salários mínimos em 2012, segundo levantamento do IBGE. Na avaliação da professora da Universidade Federal Fluminense Maria Ciavatta, o índice, de 68,6%, revela a pobreza generalizada dos brasileiros e a extrema desigualdade social no país. Os números do IBGE mostram ainda que 0,6% da população recebia acima de 20 salários mínimos; 1,7% entre 10 e 20; 5,1% entre cinco e dez; e 21% entre dois e cinco. Para a especialista, os dados colocam em dúvida a difundida ideia da emergência de novas classes médias. 

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