BH precisa de R$ 43 bi até 2030

Apenas para melhorar o transporte coletivo, a capital mineira precisaria de R$ 24 bilhões

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

Parada. Sem grandes investimentos em transporte, capital corre o risco de “parar” em alguns anos
LEO FONTES / O TEMPO
Parada. Sem grandes investimentos em transporte, capital corre o risco de “parar” em alguns anos

Belo Horizonte precisa de R$ 43 bilhões até 2030 para solucionar o atual passivo de infraestrutura da cidade. Mais da metade desse valor – R$ 24 bilhões – iria apenas para obras viárias e sistemas de transporte para solucionar os problemas no trânsito da capital. Esses valores foram apresentados nesta sexta pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB) durante o evento Diálogos Capitais Metrópoles Brasileiras, que discutiu os modelos de transporte público no Brasil.

Lacerda explicou que o montante seria o ideal para melhorar a qualidade de vida na cidade, mas que a prefeitura não tem esses recursos. “Não é que nós possamos investir todo esse dinheiro. Precisamos buscar esses recursos, mas é uma tarefa difícil, que depende muito da situação da economia”, afirmou. Segundo o prefeito, a maioria das obras é voltada para a ampliação ou para a melhoria dos sistemas de transporte público na cidade. “Não há liberação de recursos federais para obras que privilegiam o transporte individual”, disse Lacerda. Entre essas intervenções, está a implantação de um corredor do BRT ao longo da avenida Amazonas, ligando a capital a Contagem, como O TEMPO já havia antecipado. A prefeitura já fez o pedido de recursos ao governo federal, mas ainda não obteve a liberação do financiamento. O valor da obra seria de R$ 377 milhões. Para o superintendente da Associação Nacional do Transporte Público (ANTP), Luiz Carlos Montavani Néspoli, a melhoria da mobilidade urbana passa pela criação de corredores exclusivos para os ônibus, mas também pelo desestímulo ao transporte individual. “Não podemos ficar com o pensamento de que só é possível migrar para o transporte coletivo quando ele tiver qualidade. Tem que haver a melhoria do sistema, sim, mas também deve haver medidas que dificultem a vida do transporte individual”, explicou. Bilhete único A implantação do sistema de bilhete único, em que o usuário paga um valor fixo por mês e tem direito a fazer um número ilimitado de viagens no transporte público foi praticamente descartada por Lacerda. Ele afirmou que não há sequer estudos sobre como essa medida afetaria o sistema de transporte público na capital. “Temos outros benefícios que possibilitam que o usuário pegue dois ônibus pagando o preço de uma passagem em alguns casos e, em outros, pagando metade do preço na segunda viagem”, justificou. Porém, na avaliação do superintendente de Néspoli, esse incentivo é muito pequeno. “O bilhete único é um mecanismo de libertação do usuário. Ele pode pegar o sistema que quiser no horário que quiser. Facilita muito a mobilidade”, explicou. O superintendente da ANTP ainda destacou que o bilhete único implica em custos maiores, que podem impactar no orçamento do município, mas que deve ser planejado. 

Números Faixa Exclusiva. Com a criação de pistas para ônibus, é possível aumentar em quase 30 vezes o número de passageiros por estrutura viária. Uma faixa mista transporta no horário de pico 1.500 usuários por hora. Se essa via for destinada ao transporte público, esse número aumenta para 10 mil. Se a pista for exclusiva para BRT, pode chegar a 30.000 passageiros por hora. Mais carros. Em 1950, a cidade de São Paulo contava com 2,19 milhões de habitantes e 170 mil veículos. Em 2010, Belo Horizonte tinha população muito parecida com a capital paulista: 2,37 milhões de habitantes. Porém, o número de veículos era quase dez vezes superior – 1,34 milhão de automóveis.

Investimento PAC. Desde 2007, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) já criou 2.175 km de corredores de ônibus, 1.008 km de BRT, 260 km de metrô e 255 km de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT).

 

 

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