Aventuras de um cão solitário em "Bidu – Caminhos"

Luis Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno colocam Bidu nas ruas do bairro Sagrada Família

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Divulgação
"Bidu – Caminhos" faz parte da coleção Graphic MSP e Panini Comics, 80 págs. R$ 29,90 e R$ 19,90

Em meio a uma fuga pelo sistema de esgoto da cidade, Bidu precisa decidir se avança solitário ou se retorna para salvar a vida do cachorro maior e ameaçador que o ajudou a escapar, mas também responsável pelas bandagens que o cãozinho azul carrega no corpo. A escolha não é óbvia. Bidu ainda está no meio do caminho para se tornar o filhote amável de Franjinha.

Os mineiros Luis Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno criaram uma narrativa de amadurecimento – do egoísmo ao afeto – para o primeiro personagem de Mauricio de Souza, apresentado ao público em 18 de julho de 1959 em uma tirinha da “Folha da Tarde”. Recém-lançada pela Maurício de Souza Produções com a Panini Comics, a graphic novel “Bidu – Caminhos” (80 págs. R$ 29,90 a capa dura e R$ 19,90 a capa brochura) acompanha as perambulações do cãozinho até encontrar um dono.   “Nas Graphics MSP, tenho procurado atuar em diversos nichos dos quadrinhos: ficção científica, aventura, emocional, humor etc. E o Bidu foi uma escolha para a linha da emoção”, conta Sidney Gusman, editor do projeto que vem renovando o imaginário da Turma da Mônica com histórias de maior complexidade, mirando um público mais crescido. É o caso, até agora, de “Turma da Mônica – Laços”, dos também mineiros Vitor e Lu Cafaggi, “Astronauta – Magnetar”, de Danilo Beyruth, “Chico Bento – Pavor Espaciar”, de Gustavo Duarte, e “Piteco – Ingá”, de Shiko.    Damasceno e Garrocho foram escolhidos para dar forma a Bidu pelo trabalho que a dupla mostrou nas HQs “Achados e Perdidos” – história de um menino que acorda com um buraco negro na barriga e, para voltar ao normal, precisa resolver a relação com o pai – e “Cosmonauta Cosmo!”, uma aventura intergalática. Para Gusman, ambas “mostraram o quanto eles conseguiam aliar suas incríveis narrativa e arte a um tom que consegue algo raro: ser emocional sem ser piegas”.    Dupla. Os dois mineiros se conheceram em 2007 e, de tanto trocarem ideias sobre quadrinhos, decidiram criar juntos. Em 2010, começaram o blog Quadrinhos Rasos, onde postam artes criadas a partir de letras de música. Foi nesse espaço virtual que conquistaram a primeira leva de leitores, os mesmos que financiariam pelo crowdfunding a primeira edição de “Achados e Perdidos” – depois, reeditada pela Miguilim. Esse caminho da internet para as editoras tem sido comum a outras artistas da mesma geração – caso de Vitor Cafaggi, por exemplo. “Não acho que seja regra”, diz Eduardo Damasceno. “Mas um pré-requisito para ter público e mostrar seu trabalho. Nesse sentido, colocar online ajuda muito”.    Ele e Garrocho já tinham os personagens de Mauricio de Souza como uma referência forte, desde a infância, quando receberam o convite para assumir o Bidu. “A Turma da Mônica foi a minha única leitura até os 10 anos de idade”, diz Damasceno, que chegou a ter um cachorro com o mesmo nome do protagonista azul.   “O Bidu é interessante porque ele é dois personagens”, observa o quadrinista. “Existe o Bidu das historinhas dele, onde é astro, e o das histórias do Franjinha, onde é só um cachorro normal. A gente queria trabalhar esses dois em uma história só”, diz Damasceno. Não faltaram, nessa junção, Bugu nem (em tímida participação) Dona Pedra, além de uma piscada de olho, ao final, para a primeira tira em que Bidu aparece.   A dupla de criadores divide as funções: tanto Damasceno quanto Garrocho fizeram o roteiro e os desenhos. “Todas as decisões são tomadas em conjunto, mas a gente respeita a opinião um do outro, se um não gosta de uma coisa, a gente muda”, diz Damasceno. E conta: “A maior parte dos desenhos sou eu quem faço e o layout é o Garrocho”.   Na criação da graphic novel, eles usaram fotos de paisagens urbanas como referência. “A gente queria que tivesse esse aspecto de rua, não cara de cenário montado”, diz Damasceno, explicando que buscavam, nas imagens, detalhes e texturas. “O caminho que pensei para o Bidu é basicamente da praça perto do (supermercado) Epa até a rua da minha casa. Ele acontece todo no Sagrada Família”, revela Damasceno.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave