Remédio ZMapp cura macacos infectados

Pesquisa revelou que o genoma do vírus atual tem mais de 300 alterações

iG Minas Gerais |

Prevenção. Governo brasileiro simula receber turista estrangeiro suspeito de ebola
Tania Rego / Agencia Brasil
Prevenção. Governo brasileiro simula receber turista estrangeiro suspeito de ebola

São Paulo. O medicamento experimental contra o ebola ZMapp curou todos os 18 macacos infectados com o vírus mortífero em uma pesquisa, o que alimenta esperanças de que o tratamento permita combater o surto que está devastando países da África Ocidental, conforme relatório publicado ontem na revista britânica “Nature”.  

Os cientistas administraram o fármaco ZMapp de três a cinco dias depois de infectar os animais em laboratório. A maioria dos animais manifestou sintomas, mas se recuperou completamente. Outros três macacos que não receberam a droga morreram.

No atual surto de ebola, sete pessoas receberam tratamento com ZMapp, das quais duas morreram. Os médicos, porém, não sabem se o remédio ajudou os sobreviventes. A oferta do Zmapp é limitada e demorará vários meses para se produzir o suficiente para iniciar testes em humanos.

Genoma. Como resposta ao maior surto de ebola da história, um grupo internacional de cientistas sequenciou e analisou 99 genomas do vírus. Com o estudo, publicado ontem na revista norte-americana “Science”, foi possível rastrear a origem e transmissão do vírus no surto atual – informações essenciais para o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e tratamentos.

A pesquisa mostrou que o genoma do vírus atual tem mais de 300 modificações genéticas em relação às linhagens das epidemias anteriores da doença. O estudo foi realizado pelo Broad Institute do MIT e de Harvard, com o apoio do Ministério da Saúde de Serra Leoa.

Origem. Segundo os autores, as linhagens de ebola atuais têm um ancestral comum com o primeiro surto da história, em 1976. Os pesquisadores traçaram o caminho de transmissão e as relações evolutivas das amostras, revelando que a linhagem atual divergiu da versão do vírus nos últimos dez anos. Segundo eles, o surto de 2014 teve origem na Guiné e se espalhou por Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

O artigo aponta que, nas ocorrências anteriores, a exposição contínua a reservatórios virais, como morcegos infectados, contribuiu para a difusão da doença. Mas, a partir das variações genéticas do vírus atual, concluiu-se que o surto de 2014 começou em uma única troca entre humanos, espalhando-se depois de pessoa a pessoa. Os cientistas acham que o vírus foi para Serra Leoa a partir de duas linhagens da Guiné. A possível fonte foram 12 pessoas que participaram do funeral de um curandeiro na fronteira da Guiné, em maio.

Cinco mortes

Pesquisadores. Cinco dos 58 autores do artigo da “Science” contraíram o vírus e morreram, entre eles o médico Sheik Humarr Khan, do Centro Africano de Genômica de Doenças Infecciosas, Saúde Humana e Hereditariedade.

Flash

Nas ruas. O medo do ebola jogou dois jovens africanos nas ruas de São Paulo. Há 15 dias a Justiça deixou de encaminhar ao abrigo dois jovens africanos, de 15 e 16 anos, alegando receio de contaminação. Um deles veio do Congo, o outro, da Nigéria, escondidos sozinhos em um navio.

Senegal confirma primeiro caso do vírus Dacar, Senegal. Um homem infectado pelo ebola viajou para o Senegal, tornando-se o primeiro caso registrado da doença no país. O atual surto da doença já matou mais de 1.500 pessoas. A pessoa infectada é um estudante universitário da Guiné que procurou tratamento nesta semana num hospital da capital senegalesa, Dacar, informou a ministra da Saúde do Senegal, Awa Marie Coll Seck. O jovem disse ter tido contado com pacientes infectados pelo ebola na Guiné e foi imediatamente colocado em quarentena, afirmou ela. Exames realizados pelo Instituto Pasteur confirmaram a doença e a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada. Ontem, a OMS disse que na última semana ocorreu o maior número de casos – mais de 500 – desde o início do surto.

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