Cores e balões de ‘diálogo’ canino impressionam

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Garrocho e Damasceno exploraram o colorido do mundo de Bidu
Reprodução
Garrocho e Damasceno exploraram o colorido do mundo de Bidu

As páginas de “Bidu – Caminhos” enchem os olhos com soluções brilhantes de narrativa e um colorido inesperado. Sidney Gusman, editor do projeto Graphic MSP, da Mauricio de Souza Produções, pediu aos autores Luis Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno três coisas em especial. Que fizessem a história de como Franjinha encontra Bidu. Que os cachorros se comunicassem sem falas. E que não ficasse claro se é Bidu ou Franjinha quem conta o que se passou.

“Apesar de haver uma dica muito, muito sutil sobre quem é o autor, achamos legal deixar essa dúvida, para que cada leitor fizesse a sua interpretação”, diz Gusman. 

Contudo, o que mais chama a atenção no modo com a história é contada são os “diálogos” entre Bidu, Bugu, Duque e Rúfius – os quadrúpedes da trama. Em vez de palavras, os balões para a comunicação dos cãezinhos trazem ícones, desenhados a mão, como se eles pensassem com imagens. “Não achamos que os cachorros falarem combinaria com o tipo de história que queríamos contar. Pensar nesses ícones foi a parte mais divertida, de abusar do humor e brincar mais com a personalidade dos personagens”, diz Damasceno.

“Os dois fizeram essa lindeza, em que o leitor precisa ‘ler’ o desenho, e conseguiram contar tudo que queriam dessa forma”, comenta Gusman. “Vale atentar para a forma como eles usam as onomatopeias e os balões, que literalmente são parte do desenho”, observa o editor. De fato, as onomatopeias variam em forma, textura e cor, invadindo o espaço do quadrinho de forma sugestiva.

Também se destaca na arte de “Bidu – Caminhos” o uso das cores feito pelos dois mineiros. Nas cenas noturnas, por exemplo, tons de roxo e rosa determinam a atmosfera, enquanto o amarelo faz a iluminação. Outra sequência impressionante é a do temporal, que cria uma textura listrada e uma atmosfera mais fria, tornando palpável a sensação de “um dia de cão”.

“Essa é uma das minha partes preferidas de trabalhar”, comenta Damasceno. “Cor é muito legal de fazer e, para o Bidu, foi um desafio muito bacana. É um cachorro azul: pro mundo funcionar, tem que ser mais ousado nas cores, senão fica um cachorro alienígena em meio ao mundo normal”.

Parte da inspiração, nesse caso, veio da colorista Mary Blair. “É uma artista de que gosto muito, foi designer de produção dos primeiros desenhos da Disney, como ‘Alice’ e ‘Peter Pan’, e os estudos dela são nessa linha com cores bem mais fortes. Sempre quis usar as cores dela e, no ‘Bidu’, deu para brincar com isso”.

Há um tom fraterno comum a “Bidu” e “Laços”, de Lu e Vitor Cafaggi, que se reforça pela relação entre garotinhos e seu animal de estimação – na graphic novel feita pelos irmãos Cafaggi, o que impulsiona a ação é a fuga de Floquinho, o cachorro de Cebolinha. Damasceno reconhece essa proximidade de ideias com os irmãos Cafaggi. “A gente convive muito, então acho que cria um pouco de paralelo sim. A Lu é minha namorada, a gente acabou conversando bastante e a história que eles fizeram foi muito bem feita, vai repercutir nas próximas da coleção”, opina Damasceno.

“Bidu” é, no fim das contas, uma saga de formação – ainda que canina – e de encontro entre um cachorro solitário e um amigo humano.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave