Em crise, MMX propõe aumentar salário de diretores em 176%

A empresa, que interrompeu a produção de minério de ferro, enviou nesta quinta-feira (28) ao mercado a convocação de assembleia para avaliar a proposta

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

MMX/DIVULGAÇÃO
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Sob forte crise financeira e rumores de estar prestes a pedir recuperação judicial, a mineradora MMX, do empresário Eike Batista, vai pedir aos acionistas que aprovem a proposta de aumentar o salário anual de sua diretoria executiva em 2014, para R$ 24,9 milhões. O valor é 176% superior aos R$ 9 milhões pagos no ano passado.

Na última quinta-feira (28), deixaram a empresa o presidente e diretor de relações com investidores, Carlos Gonzales, no cargo desde janeiro de 2013, e os integrantes do conselho de administração Eliezer Batista, pai de Eike, e Luiz do Amaral França Pereira. Outro conselheiro, Samir Zraick, havia saído no dia 18.

Para justificar o pedido de aumento de remuneração da diretoria, que hoje é composta de duas pessoas, a MMX alega, em documento enviado ao mercado, que "a revisão decorre de ampla reestruturação administrativa da companhia, tendo inclusive reflexos na composição tanto de seu conselho de administração quanto de sua diretoria, levando em consideração a revisão do plano anual de negócios".

Roberto Furquim Werneck Guimarães, que já era diretor da MMX, vai substituir Gonzales. O gerente geral jurídico Vladimir Senra Moreira foi promovido para a outra vaga da diretoria, cuidando da mesma área.

A proposta de aumento de salário vai ser avaliada pelos acionistas em assembleia marcada para o dia 15 de setembro, assim como os novos nomes que vão integrar o conselho. Julio Klein e Yoshiyuti Hukai, além de Werneck, serão os nomes propostos para as vagas abertas no conselho.

A empresa, que interrompeu a produção de minério de ferro, enviou nesta quinta-feira ao mercado a convocação de assembleia para avaliar a proposta e também para eleger três novos conselheiros, em substituição aos que deixaram a companhia este mês.

Em janeiro, a MMX já havia aprovado, junto aos acionistas, aumento do salário global da diretoria para R$ 18,4 milhões para 2014. A nova proposta a ser levada aos acionistas reduz o salário total dos conselheiros de R$ 780 mil para R$ 680 mil.

Em 20 de agosto, a MMX informou que, devido à "prolongada" baixa nos preços internacionais de minério de ferro, interromperia a produção na região de Serra Azul, em Minas Gerais, por 30 dias. A empresa deu férias coletivas aos funcionários.

A cotação da tonelada caiu cerca de 28% no primeiro semestre do ano. Nas últimas semanas, ganharam força os rumores de que a empresa, assim como já fizeram a petroleira e o estaleiro de Eike, pedirão recuperação judicial. A Folha de S.Paulo apurou junto a fontes próximas à empresa que a hipótese vem se mostrando como único caminho viável. A MMX abriu capital em 2006, quando era chamada pelo empresário de mini-Vale.

A companhia ainda não divulgou o resultado do segundo semestre. No primeiro, teve perdas de R$ 70 milhões. Procurada, a empresa ainda não comentou a proposta de aumento de salário nem a previsão de retomada da produção.

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