Cidade pauta história de professores contagenses

Noemi Andrade e Robinson Alves, além de serem professores de história, têm em seu cotidiano rotinas e casos que estão sempre entrelaçados com o município

iG Minas Gerais |

Em um momento histórico para a cidade, em que ela completa 103 anos de emancipação, nada melhor do que contar a história de duas pessoas que não só fazem parte dela, mas também estão diretamente ligadas à história no seu dia a dia. Noemia Andrade, 52, e Robinson de Oliveira, 34, apesar de terem nascidos em Belo Horizonte, foram criados em Contagem e carregam todas as suas bagagens profissionais lecionando na cidade.   História na Casa de Cultura   A história de Noemia Andrade na cidade começou quando ela ainda era criança e, já nesse período, ela se mostrou bastante ligada aos eventos históricos. Seus pais foram um dos primeiros moradores do bairro Amazonas, e além disso ela estudou na Escola Estadual Confrade Antônio Pedro de Castro desde o seu ano de inauguração.    Após se formar alguns anos depois na Funec Incofidentes, veio a decisão de qual curso superior fazer, e ela não teve dúvida. “A escolha inicial por ser professora foi por influência familiar, mas, a área de história foi uma escolha em função da identificação com o campo de conhecimento”, revelou.   Apesar de ser funcionária concursada da Prefeitura de Contagem desde 1987, ela revela que a rotina no início da carreira dos professores sempre é complicada. Muitas escolas diferentes, pouca experiência e, ao mesmo tempo, o idealismo e disposição para trabalhar. E mantendo a perseverança no trabalho, após muitos anos de conhecimento, Noemia se encontra na sua segunda passagem pela Casa de Cultura, sendo que em 2013, no seu retorno, ela se tornou a coordenadora de políticas de memória e patrimônio cultural da Casa da Cultura Nair Mendes Moreira – Museu Histórico de Contagem.   “Por ser moradora de Contagem desde a infância e ter construído minha vida profissional e pessoal na cidade, acabei por construir uma relação com a cidade, principalmente com a região industrial. Digo que a Cidade Industrial sempre foi o meu quintal, e minhas lembranças me fazem querer preservar os ‘lugares’ de memória”, contou Noemia.   Um professor diferenciado Robinson Alves é aquele tipo de professor inovador, que diferente de muitos companheiros de profissão, é querido por todos os alunos, devido aos seus métodos de ensino e sua maneira de levar a história a onde quer que vá.   Criado no bairro São Caetano, ele decidiu qual seria a profissão na adolescência. ”Minha profissão foi definida quando eu tinha 14 anos e estava, então, na 8ª série. Na ocasião, tive um professor de geografia que me inspirou, me fez enxergar um desafio nessa profissão. Ainda tentei fugir dessa carreira. Fiz vestibular para jornalismo, ciências contábeis... Mas não teve jeito. Ao entrar para o curso de pedagogia da UEMG tive a certeza do rumo que queria seguir”, afirmou Robinson. Após a sua primeira experiência na área, em 2001, no Instituto Eros Gustavo do bairro São Caetano, ele teve a certeza de que tinha feito a escolha certa. E depois daquela aula de “duas horas que pareceram dois minutos”, foram 12 anos lecionando no instituto, até que surgiu a oportunidade de trabalhar na unidade de Contagem do Colégio Santo Agostinho.   Durante toda a sua caminhada dando aulas de história, suas seus métodos de ensino sempre foram irreverentes, que é uma fórmula de fazer com que o aluno aprenda com mais facilidade. Um aficionado por novelas, ele revela que isso também o inspira nas aulas.   “Como gosto de teatro, novelas de TV e qualquer tipo de dramaturgia, sempre me encantou a ideia de criar personagens, transportar os alunos à época histórica que trabalhamos nas aulas. Assim, fui introduzindo o teatro no meu cotidiano escolar. Sinto, desde o início, que há uma ampla aceitação pelos alunos, pois é um método rico e que se diferencia do modelo consagrado de sala de aula, da aula expositiva. Os estudantes participem literalmente do processo de aprendizagem e possam ter contato com conceitos muitas vezes complexos de maneira leve e marcante. E são conceitos que ficam. Meus alunos sempre se lembram dos teatros que fazemos em sala, e isso é muito gratificante pra mim”, afirmou.   E assim como para Noemi, Robinson revela a importância da cidade para a sua vida, que andar interligadas desde a sua infância. “Contagem sempre fez parte da minha vida. É uma cidade muito intensa, que cresce à cada dia, e que me oferece ainda uma certa tranquilidade em meio a um mar de urbanização. Adoro urbanidades, sou um cidadão do asfalto, do barulho, do movimento, ao mesmo tempo em que sinto a necessidade de me sentir parte da natureza e vivê-la. E Contagem me abre essas duas possibilidades: viver numa cidade estritamente urbana mas com um ar provinciano que me encanta e me traz serenidade e tranquilidade”, finalizou.  

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