Bate debate 29/8/2014

iG Minas Gerais |

Viva Contagem   Rodrigo Freitas Jornalista     Talvez o maior mérito de Contagem seja unir, de maneira especial, características de cidades grandes e pequenas. Acho até que é justamente isso que me faz gostar do lugar em que nasci, fui criado e que escolhi para viver. Com suas fábricas e seu comércio, Contagem consegue juntar a agitação de uma metrópole com o ar de interior em que os vizinhos ainda se conhecem, se ajudam, convivem entre si e formam o verdadeiro sentido da palavra “comunidade”.   Em algumas regiões da cidade, o leiteiro ainda é quem entrega o leite. Há quem crie galinhas no quintal dos fundos. Muita gente ainda cultiva hortas e tem o prazer de colher, em casa, verduras fresquinhas para ser consumidas. Por outro lado, há a pujança de uma cidade que, hoje, tem três shoppings, centros comerciais imponentes e regiões voltadas apenas para a atividade industrial. Mas, assim como toda grande cidade, Contagem tem lá seus desafios, que podem e devem ser lembrados neste momento de comemoração por ocasião dos 103 anos do município. Precisamos de ações concretas que reduzam os alarmantes índices de violência na cidade. Somos o 20° município mais violento do Brasil.    Não se deve esquecer também da mobilidade – ou seria imobilidade? Demorou, mas chegou o momento em que transitar pelas nossas vias nos horários de pico está insustentável e insuportável. Convivemos há mais de uma década com promessas de metrô e de corredores exclusivos de ônibus. Mas a realidade é que ainda vivemos na idade da pedra quando o assunto é o transporte coletivo. O sistema é desintegrado e ultrapassado. Os ônibus são desconfortáveis, e ainda estamos longe de um transporte que atenda todas as regiões do município decentemente.   Na questão do saneamento básico e da sustentabilidade, ainda convivemos com áreas desassistidas pela coleta de esgoto. As fossas são realidade até mesmo em bairros próximos ao centro de Contagem. Córregos, até hoje, correm poluídos a céu aberto. Falta cuidado do cidadão que polui e do poder público, que não se move como deveria para mudar essa realidade. Quem ama a cidade tem o dever de reconhecer os problemas que nela existem. Mas isso não impede que também enxerguemos que, nos últimos anos, muita coisa mudou para melhor. Temos hoje uma cidade mais humana. Tempos atrás, Contagem era carente de diversão e lazer. Tinha centros comerciais e industriais poderosos, mas era árida e dura, porque não parecia ser um lugar para se trabalhar e viver. Aos poucos, essa realidade mudou com parques, praças e shows nesses espaços. A consequência foi o resgate da autoestima do contagense. Nos 103 anos da nossa cidade, resta desejar que Contagem vença os desafios que se fazem urgentes e não perca esse ar de “uma pequena grande cidade”. Que seja sempre um lugar para se trabalhar e viver. Viva Contagem!  

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