Interdição da Pedro I causa apagão no trânsito da região

Mudança em desvio trouxe alívio para Cristiano Machado, mas complicou ruas dos bairros

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Migrou. Na imagem, viaduto que dá acesso à rua Doutor Álvaro Camargos, no bairro São João Batista
Alex de Jesus
Migrou. Na imagem, viaduto que dá acesso à rua Doutor Álvaro Camargos, no bairro São João Batista

A palavra “caos” é escolhida frequentemente por motoristas e pedestres para descrever o trânsito no entorno da avenida Pedro I, em Belo Horizonte. Após a queda do viaduto Batalha dos Guararapes, há quase dois meses, a interdição da via causou reflexos negativos em ruas dos bairros próximos e também em importantes corredores da capital, como as avenidas Cristiano Machado e Vilarinho, o Anel Rodoviário e a MG–010. Com isso, há relatos da perda de horas no trânsito e atrasos constantes, mesmo com mudanças de hábitos como a busca por caminhos alternativos e a alteração do despertador para mais cedo.

Os transtornos se apresentam para todos os meios de transporte e também para quem está a pé. A dificuldade de circulação ainda prejudica o comércio, que tem registrado queda nas vendas. “De carro, eu demoro duas horas para chegar ao centro, antes eu chegava em uma hora. Às vezes minha sogra precisa levar minha filha de 5 anos na escola para mim”, contou o advogado Valdeci França Rocha, 36, que mora em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, e utiliza a Cristiano Machado para chegar ao centro da capital. O operador de escavadeira André Luiz Rocha, 26, agora acorda mais cedo por causa do trânsito. “Antes, eu saía de casa às 5h30, mas hoje preciso sair às 5h”, conta. Ele mora no bairro São Francisco, na região Noroeste, e vai de ônibus até a estação Vilarinho. Desvios. Desde a queda do viaduto, em 3 de julho, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) já ofereceu duas opções de desvios aos motoristas. A segunda começou a valer no dia 15 e, segundo usuários ouvidos pela reportagem, trouxe alívio para a Cristiano Machado, mas transferiu o problema para vias mais estreitas, como as ruas Doutor Álvaro Camargos, João Samaha e Eugênio Volpini. “O desvio melhorou um pouco durante o dia na Cristiano Machado, mas nos horários de pico não tem jeito”, conta o taxista Ítalo Ian Rodrigues de Almeida, 23. A operadora de telemarketing Vanessa Andrade, 28, reclama ainda da mudança nos endereços dos pontos de ônibus. “O ônibus que passava às 12h30 agora chega às 13h. À noite aqui não tem muita iluminação, e preciso andar até minha casa, o que é longe e perigoso”. Outro problema encontrado pela reportagem no local foi a falta de sinalização e fiscalização. Com o tempo perdido em engarrafamentos, os motoristas acabam optando pela imprudência para acelerar a viagem. Vários “quase acidentes” foram vistos na região. “Está uma baderna, as situações de risco são frequentes. Os sinais abrem juntos. Às vezes o único jeito é fazer sinal para os carros pararem”, relata a aposentada Maria José Dias, 56.

Saiba mais Liberação. Apesar de ainda impedida pela Justiça, a demolição da alça que ficou de pé do viaduto está marcada para o dia 14. Após a intervenção, a expectativa é que o trânsito seja liberado em cinco dias. Os congestionamentos começaram depois da queda do viaduto Batalha dos Guararapes, em 3 de julho, que matou duas pessoas e feriu outras 23. BHTrans e análise. A Empresa de Transportes e Trânsito informou que a fiscalização no local é diária e foi intensificada para verificar as irregularidades cometidas pelos motoristas e garantir a segurança e fluidez do trânsito. Não há previsão de mudança nos desvios. Para Silvestre Andrade, especialista em trânsito, não há solução para o problema. E, como já há perspectiva de demolição da alça que ficou de pé, propor um novo desvio agora não seria a melhor alternativa, já que seria preciso um novo período de adaptação.

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