Naná oferece sua brasilidade percussiva em dose dupla

Pernambucano oferece oficina de percussão no sábado e faz show no jardim do parque no domingo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Músico viveu e produziu durante quase 30 anos em Nova York
Andre Fossati divulgacao
Músico viveu e produziu durante quase 30 anos em Nova York

Naná Vasconcelos, um dos músicos instrumentistas mais respeitados em todo o mundo, fará neste fim de semana, no Inhotim, uma programação dupla. Amanhã, ele vai até a comunidade quilombola de Marinhos, em Brumadinho, para dar uma oficina para crianças e jovens. Já, no domingo, ele fará show em meio à beleza natural que cerca os pavilhões do museu.

“Eu chamo de ‘Orgânico Workshop’, porque parte do corpo. Nossos melhores instrumentos são nossa voz e nossos ossos e músculos”, garante Vasconcelos. Embora o Instituto Inhotim reserve a oficina para os jovens da comunidade Marinhos, Vasconcelos gostaria que ela não fosse exclusiva. “Nós não vamos usar instrumentos justamente para não dificultar o acesso. É uma oficina em que todo mundo participa. Gente da música sem ser percussiva, do teatro, dançarinos. E que venha gente de outros lugares para promover essa mistura que é o Brasil”, convida ele.

No show de domingo, Vasconcelos fará a fusão de percussão com orquestra que marca seu trabalho. O músico é considerado um dos especialistas do universo rítmico afro-brasileiro no país. “O Brasil tem essa magia de conter várias partes da África. Por conta disso, foi possível o aparecimento de ritmos que os africanos reconhecem separadamente, mas não imaginam que seja possível a combinação. O samba, por exemplo. O pandeiro não é um instrumento africano, é ocidental, cigano. E foi aqui no Brasil que o pandeiro encontrou ritmos africanos e nasceu o samba”, exalta.

Cidadão do mundo, o pernambucano Naná Vasconcelos passou parte de sua vida (30 anos) nos Estados Unidos, tocando jazz e aprimorando sua “brasilidade com os gringos”. “Passei esse tempo todo lá, mas garanto que nunca perdi minha essência, que é brasileira. Eu peguei o berimbau e transformei em um instrumento. Fiz da percussão música”, assegura Naná.

Foi depois de voltar ao seu país para uma visita rápida que ele decidiu que era hora de voltar. “Eu vi crianças na rua, isso não tinha na minha época, e pensei que poderia ajudar. Poderia ensinar música para elas ou a construir um instrumento”, finaliza.

Agenda

O quê. Naná Vasconcelos

Quando. Domingo, às 16h

Onde. Inhotim (rua B, 20, Brumadinho)

Quanto. Ingresso para acesso ao museu: R$ 30 e R$15 (meia-entrada).

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