A mudança como resistência

Exposição com fotografias da série “Êxodos”, de Sebastião Salgado, é inaugurada hoje no Museu Inimá de Paula

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Deslocamentos. “Êxodos” trazem imagens que revelam migrações forçadas tanto nos espaços urbanos, quanto nas regiões rurais
Sebastiao Salgado
Deslocamentos. “Êxodos” trazem imagens que revelam migrações forçadas tanto nos espaços urbanos, quanto nas regiões rurais

A migração provocada pela guerra, pela fome, entre outros extremos, é o principal tema da mostra “Êxodos”, que pode ser vista a partir de hoje no salão principal e no mezanino do Museu Inimá de Paula. Com 60 fotografias produzidas por Sebastião Salgado, a exposição destaca o resultado de um trabalho produzido ao longo de seis anos, após viagens para 40 países ao redor do mundo.

O conjunto de imagens percorre desde situações urbanas, com destaque para a circulação de pessoas nas grandes cidades, até os espaços rurais, onde a disputa pela terra, pelo trabalho e por mínimas condições de sobrevivência é presente no Brasil e em outras partes do planeta. Dividido em cinco categorias (África, Luta pela Terra, Refugiados e Migrados, Megacidades e Retratos de Crianças), esse acervo propõe o reconhecimento das dificuldades enfrentadas por diferentes populações.

“As fotos estimulam a reflexão para questões de ordem política, social e econômica. Elas focam pessoas que foram obrigadas a saírem de sua terra natal pela necessidade de procurar melhores lugares para viverem”, pontua Gabriella Navarro, coordenadora de arte-educação da Fundação Inimá de Paula.

Ela ressalta que a coleção chega a Belo Horizonte pouco tempo depois de ter sido exposta na capital mineira a mostra “Genesis”, do mesmo premiado fotógrafo. Para a coordenadora, isso amplia a percepção da diversidade da obra de Salgado e estimula o olhar do visitante que poderá fazer relações com outras criações dele vistas anteriormente.

“O objetivo é somar experiências. Recentemente, esteve montada no Palácio das Artes a exposição ‘Genesis’, que nos incentivou a pensar a relação que temos com a natureza. Agora eu acho que é possível também refletir sobre a fragilidade do ser humano diante de contextos marcados pela desigualdade e pela violência”, acrescenta Gabriella.

Apesar de clicadas entre 1993 e 1999, as fotos reunidas se revelam ainda bastante atuais. “É ocaso, por exemplo, daquelas produzidas no Afeganistão ou no Brasil, quando é tratado o problema do acesso à terra. Outras expõem também o esforço dos operários pela defesa dos seus direitos, e todas trazem a memória de fatos que aconteceram e, infelizmente, continuam na ordem do dia”, afirma ela.

Interessada não só na visitação do público, Gabriella antecipa que está sendo preparada uma programação com oficinas centradas no ensino da técnica de câmera pinhole, além da abordagem de diferentes gêneros da fotografia, como o retrato. A intenção é atrair o público em geral e não apenas o estudantil.

“Pretendemos abordar as principais temáticas apresentadas pelo artista. Até pouco tempo era mais difícil trabalhar com a fotografia nos espaços do museu, mas hoje com as câmeras de celular isso se tornou mais fácil. Queremos aproveitar essa oportunidade para realizar alguns trabalhos”, diz.

Em processo de finalização, o roteiro de atividades será divulgado no site do museu (www.museuinimadepaula.org.br) e no perfil da instituição no Facebook a partir do dia 15 de setembro. “Vamos primeiro observar o volume da circulação de pessoas para avaliar a melhor forma de realizar essas ações”, explica Gabriella.

Agenda

O quê. Abertura de “Êxodos”

Quando. Hoje, às 10h. Até 16/11 (3ª, 4ª, 6ª, e sáb., das 10h às 19h; 5ª das 12h às 21h; dom., das 12h às 19h)

Onde. Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1201, centro)

Quanto. Entrada franca

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