Um talento que gera frutos

Cantora e atriz carioca Evelyn Castro se confirma como um dos grandes nomes do musical brasileiro em “Cássia Eller”

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Surpresa. Roubando a cena como destaque cômico do musical, Evelyn Castro descobriu a gravidez já no terceiro mês, no meio da temporada
Carla De Conti
Surpresa. Roubando a cena como destaque cômico do musical, Evelyn Castro descobriu a gravidez já no terceiro mês, no meio da temporada

Performances avassaladoras, ou os chamados “tour de force”, podem ser ingratas para quem está ao lado delas. Em “Cássia Eller – O Musical”, que tem suas últimas apresentações neste fim de semana em Belo Horizonte, Tacy de Campos vive a protagonista com uma possessão assustadora, que faz o público acreditar no primeiro acorde cantado no escuro que Eller voltou à vida. Ainda assim, o conjunto de intérpretes ao seu redor entrega um trabalho tão competente, que é impossível não reconhecer sua importância. E para uma atriz desse grupo, esse trabalho vai ter uma importância especial.

“A grande coisa que vou levar é a coragem que a Cássia me deu de ser mãe”, confessa Evelyn Castro que, sob o peso e o brilho de quatro meses de gravidez, vive no espetáculo a mãe da cantora, dona Nanci, e a namorada Luciana. A atriz e cantora carioca de 33 anos explica que sempre teve o sonho da maternidade, mas o trabalho nunca permitiu. “Ficava pensando quando ia conseguir parar. E ela me mostrou que não é quando, é agora: para de criar empecilho e vive sua verdade”.

De fato, a carreira de Castro não para desde a adolescência, quando ela era integrante da trupe de teatro da escola e cantora do grupo de jovens na igreja católica. Pouco depois, ela começou a cantar músicas dos anos 1970 na banda de baile Eclethics, o que a levou à sua primeira grande chance. Em 2005, Castro participou da última edição do “Fama” e chegou à final do programa. “Foi ali que deixou de ser brincadeira. Decidi que era isso que queria da minha vida e acabou”, revela.

Mesmo tendo gravado seu primeiro CD solo pela Som Livre e feito vários shows, que pagaram a faculdade de design gráfico, ela conta que há um período depois do “Fama”, em que se bate de frente com o desafio de ser um artista solo no Brasil, e que não é fácil. “Mas nunca me veio a ideia de desistir. Era ‘beleza, não está rolando isso. O que eu preciso fazer para mudar meu cenário?’”, explica.

Foi quando surgiu o convite de um amigo para o musical infantil “Auto da Alegria”, uma história de Natal. “Eles me chamaram só para cantar, não tinha personagem. Mas aí deu vontade, e aquela parte atriz que eu tinha deixado de lado voltou”, recorda. A peça rendeu um teste para uma produção da Disney no Rio em 2008. “Era um diretor da Broadway que me deu um pavor. Foi ali que eu descobri a loucura do musical, e aprendi a cantar, dançar e atuar tudo ao mesmo tempo”, ela ri.

Depois da Disney, Castro fez um curso que levou a um trabalho atrás do outro, até aparecer o convite para seu primeiro grande papel, no musical “Tim Maia – Vale Tudo”. “Graças a Deus foi um convite porque eu sou fã do Tim e, se fosse teste, eu teria ficado muito nervosa”, ela comemora. Além do trabalho ter rendido indicações a prêmios e papéis em novelas, foi no camarim do espetáculo que seus colegas vieram “perturbá-la”, mostrando a nota no jornal anunciando a produção de um musical sobre Cássia Eller.

A decisão de fazer parte do espetáculo veio de uma conexão antiga e de uma paixão pela cantora, de que Castro se lembra toda vez que olha para uma parte de seu corpo. “Estava fazendo minha primeira tatuagem, e a loja parou quando saiu na TV a notícia da morte dela. Tenho a Cássia marcada na pele”, revela. Um único teste garantiu a ela os dois papéis, que são especiais por motivos diferentes. “Tudo que me passavam de feedback da dona Nanci era minha mãe. Tem coisas que ela diz que minha mãe já falou”, conta.

Mas é como Luciana, personagem menos conhecida do público, que Castro tem mais liberdade de criar. A atriz só obteve informações sobre ela depois da estreia, numa conversa com Marcelo Saback, mas esse não foi seu maior desafio. “Não sou de paquerar ninguém. E não sou lésbica, mas tenho vários amigas, e amigos, que são. Então, tive que descobrir como me inserir ali e ajudar a cronologia desse relacionamento soar natural para o público, e não uma piada, no ritmo louco do musical”, explica.

A gravidez deve fazer com que Castro não participe da última temporada do espetáculo, em Brasília, mas não mudou muito sua performance. “Agora eu babo mais na cena da gravidez”, confessa. Segundo ela, o bebê é filho de pai roqueiro e curte muito a peça, dando “choquinhos” durante as músicas. “O complicado são só as ladeiras de BH. Já a comida dá vontade de bater, e meu filho tem agradecido muito”, brinca.

No mais, é o paparico e a preocupação do elenco. “A Tacy ficou acordada, foi na farmácia. E já pediu para eu não subir na cadeira porque ela fica nervosa e desconcentra”, ela ri. E apesar de atuar ser sua maior “curiosidade” e mãe ser o grande projeto do momento, um novo CD solo já está nos planos para 2015. “Esse musical me trouxe de volta sonhos que estão sendo concretizados. E meu cansaço é dobrado, mas quem me impulsiona e sabe que eu vou dar conta é a Cássia Eller”, acredita.

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