Aumento das forças russas na Ucrânia eleva pressão a Putin

Otan diz que mais de mil militares lutam em território ucraniano; Petro Poroshenko convoca reunião

iG Minas Gerais |

Contra a guerra. Garota ucraniana balança a bandeira do país em um ato contra o conflito na região
Sergei Grits/Associated Press
Contra a guerra. Garota ucraniana balança a bandeira do país em um ato contra o conflito na região

Kiev, Ucrânia. O presidente Petro Poroshenko acusou nesta quinta a Rússia de enviar suas forças para a Ucrânia e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança e Defesa ucraniano para decidir os próximos passos diante da escalada da crise no leste do país, que deixou 11 civis mortos somente nas últimas 24 horas em bombardeios em Donetsk.

Depois que os rebeldes assumiram o controle de territórios de forças governamentais em retirada, as acusações de interferência direta da Rússia aumentaram, levando o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a convocar uma reunião de urgência para discutir o impasse. Enquanto um líder separatista admitiu a presença de soldados russos nos combates, citando entre 3.000 e 4.000 militares, a Otan calculou o contingente em mais de mil.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) anunciou uma reunião extraordinária nesta quinta com o objetivo de analisar as “violações russas na Ucrânia”. O representante da Ucrânia no órgão disse que forças russas haviam tomado a cidade do sudeste de Novoazovsk, mas o seu homólogo russo negou que soldados estejam cruzando a fronteira.

‘Mentiras’. A embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Samantha Powers criticou a postura do presidente russo, Vladimir Putin, afirmando que o Kremlin tem mentido com relação à entrada de soldados russos em território ucraniano, e à intensificação dos conflitos no Leste do país.

“Na terça-feira, ao se encontrar com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em Minsk, Vladimir Putin disse que ‘era hora de dar um fim ao derramamento de sangue’. Nesse mesmo dia, imagens de satélites mostraram unidades de combate russas cruzando a fronteira, e a Rússia respondeu que se tratava de um engano. Tudo isso numa das fronteiras mais vigiadas do planeta e numa região que tem sido palco de uma das maiores crises dos últimos tempos”, afirmou Samantha, em discurso na assembleia da ONU.

“Um dos principais líderes separatistas em Luhansk afirmou que há 4.000 soldados russos reforçando os rebeldes. De acordo com o governo russo, esses soldados nunca estiveram lá, assim como nunca estiveram na Crimeia, até que a Rússia anunciasse a anexação do território. A Rússia precisa parar de mentir”, disse.

Para ela, o governo russo tem ignorado soluções diplomáticas. “Foguetes foram disparados pela fronteira, aviões russos têm violado o espaço aéreo, e o número de tropas na fronteira é o maior desde o início dos conflitos, em maio. A Ucrânia tem buscado soluções políticas desde o início, mas Putin tem ignorado essas tentativas”.

Frentes do conflito na Ucrânia O conflito que vinha se concentrando nas regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk agora está expandindo para o sul, na costa do mar de Azov. A cidade de Novoazovsk, perto da fronteira com a Rússia, foi capturada pelos rebeldes que foram descritos como “soldados russos”. Novoazovsk fica na rota que conecta a Rússia à península da Crimeia (anexada por Moscou em março). As tropas ucranianas haviam conseguido avanços significativos contra os rebeldes nas últimas semanas, mas o avanço separatista em duas áreas distintas da região de Donetsk agora colocam essas conquistas em dúvida. Segundo a Otan, mais de mil soldados russos estariam dentro de território ucraniano, ajudando os separatistas nas várias frentes. A Rússia nega.

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