Normas vão constar no laudo

O descumprimento de regras técnicas da ABNT será incluído em perícia oficial da queda do viaduto

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Tragédia. Viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I desabou em 3 de julho, matando duas pessoas e deixando outras 23 feridas
LEO FONTES / O TEMPO
Tragédia. Viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I desabou em 3 de julho, matando duas pessoas e deixando outras 23 feridas

A observação das exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) será um dos embasamentos do laudo oficial sobre a queda do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, em Belo Horizonte. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a falta da Certificação da Qualidade do Projeto (CQP), documento que não teria sido apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte, é vista como um agravante para a queda da estrutura. Conforme O TEMPO adiantou com exclusividade nesta semana, fiscalização falha, erro de cálculo do projeto e problemas na construção estarão entre as causas técnicas. O documento está sendo finalizado pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas (PCMG) e será entregue ao delegado Hugo e Silva, que preside o inquérito policial, na próxima quarta-feira, quando a tragédia completa dois meses. As investigações vão apontar quem são os responsáveis pelas duas mortes e 23 vítimas decorrentes da queda do viaduto que atingiu um carro, um micro-ônibus e dois caminhões. Entre eles, devem estar os servidores municipais que fiscalizaram a obra. Isso porque a prefeitura não apresentou a verificação do projeto executivo, conforme determina a NBR 6118. De acordo com a Polícia Civil, o laudo elenca diversos itens, incluindo os erros de cálculo que levaram à redução da quantidade de materiais utilizados na construção da estrutura e o tamanho dos blocos de sustentação do viaduto. A fonte ouvida pela reportagem informou que o laudo não entrará no mérito sobre a quantidade exata da falta de ferragem, já que o objetivo não é refazer os cálculos, mas indicar onde foram as falhas e os culpados pelo crime, em uma análise qualitativa. Há um mês, a construtora Cowan apontou que o bloco teria sido projetado com 90% a menos de aço que o necessário. Para chegar à causa, a perícia analisou o projeto e realizou uma escavação em torno do pilar que afundou. Problemas no terreno foram descartados. “Após receber o laudo, o delegado responsável pelo inquérito irá avaliar se há necessidade de solicitar esclarecimentos ou informações técnicas complementares para prosseguir na apuração dos responsáveis”, informou a Polícia, em nota. A etapa seguinte, ainda segundo a nota, será ouvir os representantes da empresa e os responsáveis pela obra sobre os pontos falhos revelados pela perícia.

Saiba mais Discussão. Engenheiros da UFMG e a comunidade interessada discutiram nesta quinta o destino da alça que ficou de pé. “O que é melhor? Demolir, reforçar ou recuperar a estrutura?”, foi o tema da palestra, que debateu causas do colapso, condições de segurança e qual a melhor decisão. Justiça. A demolição depende de uma decisão da Justiça, que concedeu liminar impedindo qualquer decisão antes da discussão com os moradores.

Silêncio Resposta. Pelo nono dia, a reportagem cobrou uma resposta da prefeitura sobre a certificação do projeto, mas não obteve retorno. A construtora Cowan também ainda não se pronunciou. 

Projeto de demolição de alça será apresentado a moradores A presidente da Associação dos Moradores e Lojistas da Pedro I, Vilarinho e Adjacências, Ana Cristina Drumond, informou que a Prefeitura de Belo Horizonte vai apresentar na próxima segunda-feira o projeto de demolição da alça norte – a informação foi confirmada pelo coronel Alexandre Lucas, da Defesa Civil. Segundo ela, o encontro vai acontecer um dia antes da reunião de conciliação, no Fórum Lafayatte, entre Ministério Público, prefeitura e moradores vizinhos ao viaduto. “Nós pedimos que o projeto fosse antecipado para que pudéssemos apresentá-lo na audiência e ter uma visão sobre o projeto de demolição”, informou Ana. A assessoria de imprensa da prefeitura confirmou a reunião de segunda, às 20h, na Comunidade Mundo Novo, na rua Maria de Lourdes Carreira, 37, no bairro São João Batista, em Venda Nova.

Implosão

Prazos. O coronel Alexandre Lucas, da Defesa Civil Municipal, disse nesta quinta que a prefeitura já se decidiu pela demolição da alça que ficou de pé e que a opção por não recuperar a estrutura leva em conta outros fatores, como os prejuízos ao trânsito e ao comércio pela interdição da Pedro I. Data. O coronel afirmou ainda que a data “referência” para a implosão é mesmo dia 14, como afirmou o prefeito Marcio Lacerda. Segundo ele, seriam cinco dias, após o trabalho, para a liberação do trânsito.

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