A chance para uma geração

Brasil tem a maior média de idades entre as equipes que disputam o torneio a partir de amanhã

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

Expectativa. Pivô da NBA, Anderson Varejão acredita que o Brasil tem chances de medalha no Mundial
Gaspar Nóbrega/Inovafoto
Expectativa. Pivô da NBA, Anderson Varejão acredita que o Brasil tem chances de medalha no Mundial

No futebol brasileiro, muito se fala em renovação, em mudança de conceitos e de pensamentos. São implicações surgidas após o desastroso 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo, competição realizada dentro de casa. No basquetebol brasileiro, “renovação” é uma palavra que, por enquanto, ainda não ronda o imaginário dos dirigentes e da comissão técnica. Mas deveria.

A seleção brasileira masculina que inicia a disputa da Copa do Mundo de basquete amanhã, contra a França, em Granada, na Espanha, é a que possui a maior média de idade entre as 24 seleções participantes do certame – 31 anos. O jogador mais novo da seleção é o armador Raulzinho, 22, enquanto o mais velho é o experiente ala Marcelinho Machado, 39. Em contrapartida, os Estados Unidos, favoritos ao título, apresentam ao mundo uma seleção renovada e com média de idade na casa dos 24 anos, a mais baixa do torneio.

Se a preocupação com o futuro é latente, pelo menos há a expectativa de que a experiência possa fazer o Brasil ir longe na Copa do Mundo. Isso porque chegou a hora da verdade para a maioria dos jogadores da seleção. Muitos deles deverão disputar a competição pela última vez na carreira.

“Aqui na Espanha existe uma grande possibilidade de medalha. E quando olho para nosso time vejo que existe uma grande vontade de alcançarmos. É a nossa oportunidade de conquistar algo mais importante”, afirma o pivô Anderson Varejão, que completa 32 anos em setembro e que em 2019, ano da próxima Copa do Mundo, chegará aos 37.

Olimpíada. Esse também é o pensamento que ronda a mente de Marcelinho Machado. Prestes a disputar seu quinto Mundial, o ala do Flamengo, especialista nos chutes de três pontos, sabe que, mais do que recordes pessoais, chegou a hora de essa geração marcar seu nome na história.

“Vamos brigar pelas primeiras posições. Somos uma seleção experiente e qualificada. Nos últimos campeonatos temos demonstrado isso. Essa é uma oportunidade muito grande de marcar o nome na história do basquete brasileiro. É com essa pretensão que entraremos no Mundial”, avalia Marcelinho, que diz não querer planejar o futuro, mas ainda carrega consigo o sonho de disputar os Jogos Olímpicos do Rio.

O discurso otimista dos jogadores é um alento e também um voto de confiança junto à torcida. O Brasil caiu em um grupo considerado o da “morte”, com seleções como França, Espanha e Sérvia. E, querendo ou não, muito do que a equipe produzir em quadra nos próximos dias terá claro reflexo na montagem do plantel para a Olimpíada do Rio, em 2016.

Saiba mais Más recordações. A última vez que o Brasil caiu em um grupo da morte foi em 2006, no Mundial do Japão. À época, a expectativa também era por medalhas. O time contava com sete jogadores dos 12 que foram convocados para a disputa deste ano (Marcelinho Machado, Varejão, Splitter, Giovanonni, Marcelinho Huertas Alex Garcia e Leandrinho). No entanto, a seleção acabou eliminada na primeira fase após perder para Grécia, Turquia, Austrália e Lituânia. O 19º lugar selou a pior participação brasileira em Copas. Todos saudáveis e juntos. Está será a segunda vez que os considerados melhores jogadores do atual basquete brasileiro atuam juntos em uma competição. A última vez que isto aconteceu foi em 2012, nos Jogos de Londres. A seleção finalizou o torneio na quinta posição. Os aprendizados nos amistosos. Antes de a bola subir na Espanha, a seleção brasileira realizou nove amistosos. Foram seis vitórias (Angola, Argentina, Eslovênia, Irã e México, por duas vezes) e três derrotas para Estados Unidos, Argentina e Lituânia. O que ficou claro durante esses jogos foi uma defesa mais consistente, além de um ataque mais dinâmico, com chutes de fora da área pintada e o trabalho com os pivôs. Baixo aproveitamento. Porém, alguns detalhes são preocupantes, entre eles o aproveitamento nos lances livres. Na derrota para a Argentina no Torneio Amistoso Três Nações, a seleção obteve uma média de acerto na casa dos 40%. Números baixos e que ajudam a explicar a derrota por 85 a 80. Dias depois, contra os EUA, os acertos chegaram a 50%, e a seleção foi derrotada por 95 a 78.

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