Varejão abre o jogo e expõe confiança em medalha no Mundial da Espanha

Ídolo da NBA deu sua opinião sobre o futuro do basquete brasileiro e revelou sua ansiedade para os Jogos do Rio; volta de LeBron aos Cavs foi celebrada

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Anderson Varejão e Rubén Magnano posam ao lado do troféu Naismith
Alexandre Loureiro/Vipcomm
Anderson Varejão e Rubén Magnano posam ao lado do troféu Naismith

Anderson Varejão se tornou figurinha carimbada no imaginário do torcedor brasileiro, muito por conta de sua cabeleira estilosa, "bem antes do David Luiz aparecer", destaca o jogador, de 31 anos, e que atua pelo Cleveland Cavaliers, da NBA, há 10 temporadas. Na Copa do Mundo da Espanha, ele é um dos caras da seleção brasileira que tenta voltar para casa com uma medalha na bagagem.

Com a perspectiva de quem vê a vida literalmente do alto, Varejão é conhecido por sua alegria e companheirismo. Para provar isto, não perde uma boa piada e brinca até com seus 2,11m.

"Ser alto ajuda bastante quando vou a um show e tenho a vista livre, pois vejo tudo por cima. Mas atrapalha bastante em hotéis, porque geralmente os chuveiros, camas são pequenos para mim. Acho que é por isso até que o meu pescoço é para a frente", destaca.

Foi com esta simpatia que o gigante, nascido em Colatina, no Espírito Santo, atendeu a reportagem de O TEMPO, e abriu o jogo sobre sua ansiedade para o Mundial, o relacionamento com o técnico argentino Rubén Magnano, o retorno do amigo LeBron James a Cleveland, além de dar sua opinião sobre o futuro do basquete brasileiro. No planejamento de Varejão, o sonho olímpico é uma constante e o jogador promete, bem a seu estilo lutador, que não faltará raça para que o Brasil retome sua condição como força do basquete mundial.

O que esperar da seleção brasileira no Mundial da Espanha? Chegou a hora desta geração dar a resposta que todos esperam?

- Estamos com a melhor das expectativas. Fizemos uma boa preparação, treinando duro, e enfrentamos amistosos contra seleções fortes antes de chegarmos à Espanha. O Brasil tem um grupo de jogadores de qualidade e experientes, isso ajuda muito, estamos bem entrosados dentro e fora de quadra. Queremos algo maior. Vamos para o Mundial sabendo da nossa força, sabendo das dificuldades, e muito confiantes. Temos condições de jogar de igual para igual com qualquer seleção, enfrentar qualquer time e pensar em lutar por medalha.

Há algum tempo, o basquete brasileiro vem sendo criticado por apresentações tidas como ruins internacionalmente. Como você encara este tipo de avaliação, principalmente quando citam a ausência dos jogadores da NBA?

- Não posso falar pelos outros, apenas por mim. Temos trabalhado muito para colocar o Brasil no lugar que ele merece e acho que a evolução da seleção é algo nítido. Fizemos um bom Mundial em 2010, brigamos por medalha nas Olimpíadas de Londres, e estamos com uma expectativa muito boa para a Copa do Mundo na Espanha.

Como é a sua relação com a seleção brasileira? E como você enxerga a figura de Magnano no processo de reestruturação do basquete nacional?

- Magnano mudou a maneira do Brasil jogar, mas sem tirar a característica do nosso basquete. Tenho prazer e orgulho em vestir a camisa do Brasil, defender meu país, e estou muito motivado para disputar mais um Mundial.

O que falta ao basquete nacional para competir de igual para igual com outras escolas ao redor do mundo? Falta organização? Um melhor planejamento? Um calendário mais organizado? Ou o trabalho com a base?

- Acho que tudo vem melhorando nos últimos anos. Hoje o Brasil tem uma liga forte, que vai para a sua sétima edição, o NBB, há um olhar mais cuidadoso para a base, as seleções estão se fortalecendo. A seleção brasileira vem mostrando que joga no mesmo nível das principais potências. Passamos por problemas no nosso esporte por muitos anos e essa situação não muda em pouco tempo. Com planejamento e comprometimento, as coisas estão mudando e a tendência é que tudo melhore, cada vez mais.

Pensando nos Jogos Olímpicos, como tem sido o trabalho visando este objetivo? A seleção brasileira de futebol sentiu a pressão de atuar em casa durante a Copa do Mundo, este 'mal' pode chegar aos atletas olímpicos? Como vocês têm trabalhado as áreas psicológica e emocional para encarar a pressão por resultados em uma competição dentro do país?

- Existe uma ansiedade enorme, com certeza, primeiro por serem Olimpíadas, segundo porque vai ser aqui, na nossa casa, com família, amigos, nosso povo acompanhando. Não sei se isso atrapalhou a seleção de futebol, mas espero que isso seja, como esperamos, um fator extra de gana, de luta, que tenhamos a torcida como nosso sexto jogador em quadra. Claro, é um pouco diferente, há muitas coisas que podem desviar o foco numa competição como os Jogos, ainda mais no Brasil, mas é uma experiência única, uma oportunidade única, e precisamos demais de foco e concentração. Nada pode atrapalhar e estamos cientes disso. Antes, porém, estamos pensando no Mundial, em voltar com um grande resultado na bagagem.

Você está completamente inteiro fisicamente para a disputa do Mundial?

- Sim, bem, feliz e pronto.

Até que ponto o desgaste das temporadas da NBA e da Europa pode afetar o desempenho dos atletas no Mundial da Espanha?

- Estamos chegando bem para o Mundial. Acho que a questão do desgaste, dos diferentes níveis de preparação dos atletas, foi bem administrado. Tudo foi bem dosado e bem pensando pela comissão técnica, alguns terminaram seus campeonatos em abril, como eu e alguns do NBB, outros em maio, alguns depois, casos dos jogadores do Flamengo, do Huertas e do Splitter, que jogou até o meio de junho, e estamos bem.

Qual é a sua avaliação sobre os adversários do Brasil no Mundial? E sobre o nível técnico do torneio em si. O que esperar?

- Temos uma chave bastante dura, bem difícil, com potências como França, Espanha e Sérvia, e países que não podem ser menosprezados, como Egito e Irã. É um campeonato de nível altíssimo, vamos enfrentar times de qualidade, mas precisamos pensar jogo a jogo, buscar uma vitória de cada vez, para podermos chegar longe. Todos os jogos são decisões, vamos à quadra pensando em cada confronto como uma final, essa vai ser a nossa postura.

LeBron James está de volta a Cleveland. Como você recebe o retorno de um companheiro tão querido e a chegada de reforços em Ohio, como Kevin Love? O time tem realmente condições de levantar o inédito título?

- Estou muito feliz pelo retorno dele. LeBron é um ídolo, um amigo e um atleta fora de série. O Cleveland vem se reforçando com peças importantes, grandes jogadores que se juntam à base que formamos nos últimos anos, com jovens de talento, e espero que essa mescla dê muito certo. Temos, sim, condições de lutar pelo título, mas precisamos mostrar isso em quadra, temos um grupo forte, um elenco de ótimo nível, e estou muito animado para esta temporada.

Como você administra esta questão de titularidade na seleção? Hoje você é uma espécie de sexto homem em um quinteto que já parece ao menos definido.

- Essa é uma pergunta que o Magnano pode responder. Eu quero jogar e ajudar a Seleção Brasileira, se for na minha posição, em outra, de armador, jogando um minuto ou os 40, meu objetivo é ajudar o time e quero ajudar da melhor maneira, dando sempre o meu máximo, deixando tudo em quadra.

Até que ponto este experiente garrafão da seleção brasileira é capaz de intimidar os adversários durante o Mundial?

- Todos sabem a qualidade do nosso garrafão. Mais do que isso, sabem da qualidade do nosso time. A Seleção Brasileira entra muito forte no Mundial da Espanha, sabemos bem o que vamos encontrar na competição, das dificuldades, mas estamos prontos.

O que representa este Mundial em sua carreira? Quais são seus objetivos individuais para a competição?

- O Mundial é, ao lado das Olimpíadas, a competição mais importante do basquete. Marca o atleta, marca a carreira do jogador. Não tenho objetivos individuais, faço parte da Seleção Brasileira e meu objetivo é ajudar a equipe a conseguir um resultado expressivo. Todos estamos pensando assim, o grupo está fechado e muito confiante.

E qual é o seu recado para a torcida?

- Quero agradecer a todos pelo carinho, pelo apoio e dizer que vamos para a Espanha dar o nosso melhor. Que a energia positiva dos fãs e torcedores vai nos ajudar e muito ao longo da competição.