De convidado a favorito ao pódio: a reviravolta brasileira

Após desastre na Copa América, seleção se viu prestes a ficar fora do Mundial pela primeira vez na história; alívio veio após acordo nos bastidores

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Com seus gigantes, Brasil quer mostrar que seu basquete não está adormecido
Gaspar Nóbrega/Inovafoto
Com seus gigantes, Brasil quer mostrar que seu basquete não está adormecido

Não faz nem cinco meses que a grande polêmica do basquete brasileiro era a expectativa pelo convite da Fiba - a Federação Internacional da modalidade - para a disputa do Mundial, na Espanha. Após uma pífia apresentação na Copa América no ano passado, a seleção brasileira adulta masculina se viu na 'corda bamba' e precisou da intervenção da entidade para não ficar fora, pela primeira vez em sua história, do certame que reúne as melhores equipes do planeta, torneio este que o Brasil, diga-se de passagem, é bicampeão.

Mas o convite teve preço, mais especificamente 1 milhão de francos suíços (aproximadamente R$ 2,72 milhões) pagos pela Confederação Brasileira de Basquete a Fiba. Todo o investimento, oriundo dos patrocinadores da entidade, ajudou a 'tapar o sol com a peneira' e evitar um desastre ainda maior na modalidade, que já foi uma das mais populares do país ao lado do futebol.

Então, de repente, a situação se inverteu e de equipe convidada o Brasil transformou-se em um dos favoritos a sair da Espanha com uma medalha na bagagem. Esta mudança de ares é explicável e tem a ver com a presença de todos os jogadores da NBA, os mesmos que foram escorraçados pela ausência na Copa América, na competição internacional. Eles terão o peso de defender o país e, ao mesmo tempo, reconquistar a confiança nacional.

"Eu vejo um grupo bem preparado. E uma comissão técnica fazendo uma preparação adequada, com todos jogadores sem problemas de lesões, sadios, com a cabeça focada na competição, além de uma união muito forte. Todos querem dar o melhor nesse campeonato. O céu é o nosso limite e vamos lutar para brigar por uma medalha, se possível de ouro", exalta Nenê, talvez o mais criticado jogador brasileiro, vaiado em pleno Rio de Janeiro.

A culpa, de fato, nem é dos atletas da NBA. O basquete brasileiro está há muito adormecido no tempo, fruto das péssimas administrações, mínimos investimentos nas categorias de base, dívidas sem fim e a transposição de responsabilidades a quem não deveria, mas 'paga o pato' pelas trapalhadas realizadas nos bastidores. Porém, no dia 30 de agosto, a bola sobe novamente e junto com ela a esperança de dias melhores, até porque grande parte do planejamento de reconstrução do basquete brasileiro está condicionado ao sucesso da seleção em competições internacionais.