Campos deu incentivos para empresa que comprou jato usado na campanha

Candidato renovou um decreto que reduzia os impostos para a Bandeirantes Companhia de Pneus importar o produto para carros, caminhões e máquinas agrícolas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Uma das empresas apresentadas como compradora do jato que caiu com Eduardo Campos (PSB) no último dia 13 recebeu incentivos fiscais e linha de crédito subsidiada do governo de Pernambuco em 2011, quando o candidato à Presidência administrava o Estado.

Campos renovou um decreto que reduzia os impostos para a Bandeirantes Companhia de Pneus importar o produto para carros, caminhões e máquinas agrícolas.

O decreto original, de 2006, foi assinado pelo antecessor de Campos no governo de Pernambuco, José Mendonça Bezerra Filho. Campos assumiu o cargo em 2007. Questionado pela reportagem, o governo de Pernambuco disse que não tinha pronto o cálculo com o total dos incentivos recebidos pela empresa.

O governo de Pernambuco disse em nota que o incentivo existe desde 1999, com o objetivo de atrair investimentos para o Estado e gerar empregos. Ainda de acordo com o governo, a Bandeirantes recebeu o incentivo em 2004 e 2006, nos governos de Jarbas Vasconcelos e Mendonça Filho, quando o atual dono da Bandeirantes, Apolo Santana Vieira, não integrava o quadro societário da empresa. Ele é réu numa ação penal sob acusação de fraude em importação de pneus.

A Bandeirantes afirmou que não iria comentar os incentivos que recebeu. A empresa diz que teve interesse em comprar o jato, mas não concluiu o negócio.

Apolo e outros dois empresários de Pernambuco, João Lyra de Mello Filho e Eduardo Bezerra Leite, foram apresentados pela campanha do PSB como os compradores do jato. Segundo o partido, as despesas com o avião seriam declaradas à Justiça eleitoral.

O jato pertencia ao grupo AF Andrade, que diz ter vendido o direito de uso da aeronave em 15 de maio aos empresários pernambucanos. A aeronave, no entanto, continua em nome do grupo, que passa por recuperação judicial, com dívidas de R$ 341 milhões. Os empresários não passaram a aeronave para os seus nomes porque não teriam conseguido demonstrar para a Cessna, fabricante e dona da aeronave, capacidade financeira para comprar um avião de R$ 18,5 milhões.

Há suspeitas na Polícia Federal, que investiga o acidente, que a aeronave teria sido comprada com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, já que uma série de empresas fantasmas fizeram pagamentos para o grupo Andrade.

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