Legislação não coíbe crime de saidinha de banco

Somente neste ano, entre janeiro e julho, cidade já registrou 23 ocorrências; para presidente de sindicato, segurança é responsabilidade das agências bancárias

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Quatro crimes ocorreram em uma agência no Filadélfia
João Lêus
Quatro crimes ocorreram em uma agência no Filadélfia

Sancionada há mais de três anos para diminuir o número de crimes conhecidos como saidinhas de banco – em que bandidos se comunicam do interior das agências com comparsas para assaltar clientes do lado de fora –, a lei estadual 19.432, que proíbe o uso de celulares dentro de agências, postos e instituições bancárias, apresenta poucos resultados práticos.

Números da Polícia Militar obtidos pela reportagem de O Tempo Betim revelam que, somente entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 23 ocorrências deste tipo de crime no município. A média é de três casos por mês. No total, o prejuízo dos clientes já chega a mais de R$ 84 mil. Em um dos casos recentes, os bandidos subtraíram R$ 11.600 da vítima.

Segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Eliana Brasil, a lei não conseguiu frear a violência na saída das agências bancárias. “Os vigilantes não fazem a fiscalização, porque têm muitas outras coisas com que se preocupar. Além disso, os bandidos não precisam se comunicar, necessariamente, por telefone. Em muitos casos, eles apontam as vítimas para os comparsas”, afirmou.

Eliana acredita que a segurança dos clientes exige um investimento maior em vigilância na área externa às agências, com a contratação de profissionais e a instalação de câmeras nesses locais. “Números revelam que os lucros dos bancos são crescentes em todo o país. Por isso, o sindicato defende a tese de que essas instituições são as responsáveis pelos investimentos na segurança, não só dos clientes, mas também dos funcionários”, justifica.

A colocação de biombos nos caixas também é defendida pela presidente do sindicato. “Agências que já funcionam com essas barreiras garantem a proteção e a privacidade de seus clientes, diminuindo, assim, os índices de saidinha de banco”, acrescenta.

Hábitos O empresário Nilton Santos confessa que teme a ação dos bandidos, mas admite que, quando precisa fazer depósitos de altos valores, acaba sacando e andando com dinheiro.

“Sei que é perigoso, mas prefiro andar com o dinheiro a pagar o valor da transação bancária. Acho que não usar o celular ajuda a coibir, mas não acaba com os roubos”, opinou.

De acordo com a legislação em vigor, os bancos precisam, além de proibir o uso de celulares, instalar câmeras nas áreas externas às agências.

Ainda segundo a norma, a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento da lei é do Procon – Órgão de Proteção e Defesa do Consumidor –, mas ele precisa ser acionado por meio de denúncia. O cliente que for flagrado usando o celular pode ter que pagar entre R$ 2.000 e R$ 5.000. No caso da instituição financeira, a punição varia de R$ 10 mil a R$ 21 mil. A variação nos valores depende da reincidência ou não do crime e da gravidade. Respostas Para a Polícia Militar (PM), as ocorrências de saidinha de banco poderiam ter diminuído se a fiscalização fosse eficiente. Já a assessoria de imprensa da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) informou, por meio de nota, que o investimento em segurança nas agências brasileiras foi triplicado nos últimos dez anos. “Em 2003, os bancos investiam anualmente R$ 3 bilhões de seus recursos nessa área, mas esse valor foi triplicado para R$ 9 bilhões em 2013, fazendo com que, em uma década, o investimento crescesse 200%”.

Uma das orientações é que os clientes usem canais alternativos para a realização de transações financeiras, pelo uso do internet banking, do banco por telefone, de aplicativo do banco no celular, caixa eletrônico, transferências eletrônicas DOC e TED, uso de cheques e cartões de débito, evitando saques de valores expressivos em espécie.

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