Delegado acredita que suspeitos de racismo em MG são de fora do Estado

De acordo com o titular da 31ª Delegacia de Polícia Civil de Muriaé, a polícia vai pedir dados sobre os perfis dos suspeitos ao Facebook

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Jovem negra posta foto com namorado branco e sofre racismo no Facebook
Reprodução
Jovem negra posta foto com namorado branco e sofre racismo no Facebook

O delegado responsável pela investigação do caso de racismo sofrido por casal de Muriaé, na Zona da Mata, disse acreditar que os suspeitos que fizeram comentários na foto postada pela vítima no Facebook são de fora do Estado.

De acordo com Eduardo Freitas da Silva, titular da 31ª Delegacia de Polícia Civil de Muriaé, a moça registrou ocorrência no dia 26 de agosto e prestou depoimento nessa quarta-feira (27). O namorado dela, que aparece na foto, também já foi ouvido. “Pelo o que a gente já viu, as pessoas não se encontram na nossa região ou na nossa cidade, a grande maioria é do estado de São Paulo”, disse Silva, que acredita que os suspeitos sejam adolescentes. Ainda segundo o delegado, a foto postada tinha visualização pública e não apenas para os amigos do casal, de maneira que qualquer pessoa poderia comentar.

“Vamos encaminhar um pedido para o escritório do Facebook no Brasil pedindo para repassarem os cadastros dessas pessoas”, afirmou Silva. Ele não descarta a possibilidade de pedir apoio à Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Cibernéticos durante a apuração do caso.

Quando identificados, os suspeitos devem responder pelo crime de injúria racial, que tem pena prevista entre 1 e 3 anos de reclusão.

O caso

No dia 17 de agosto, a jovem D.M., que é negra, postou no Facebook uma foto em que aparece com o namorado, L.F, que é branco. A postagem despertou imediatamente uma sequência de comentários racistas como o do perfil Capivara Vuadora, que postou: "Onde comprou essa escrava?", "Me vende ela", "Café com leite".

As ofensas fizeram com que a vítima retirasse sua página pessoal do ar. No início dessa semana, ela procurou a polícia e denunciou o crime.

 

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