Integrantes da William Rosa podem responder por furto de energia

Alerta é da Cemig; cerca de 60 moradores fizeram uma manifestação, nessa quarta, por terem ficado sem energia em um setor do terreno ocupado; fornecimento de energia elétrica foi restabelecido nesta quinta

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Manifestantes atearam fogo em madeiras e pneus para protestar
Felipe Ribeiro/Webrepórter
Manifestantes atearam fogo em madeiras e pneus para protestar

Após restabelecer o fornecimento de energia elétrica no terreno invadido, às margens da avenida Severino Ballesteros, no bairro Jardim Laguna, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, na manhã desta quinta-feira (28), a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que a falta de luz, reclamada por integrantes da ocupação William Rosa, nessa quarta-feira (27), aconteceu pela realização de “gato”. Além disso, a empresa alertou que a realização de ligações clandestinas, configura-se crime de furto, que possui pena de reclusão. A organização da ocupação alega que é uma questão de sobrevivência.

“A Cemig ressalta que aqueles que fazem ligações clandestinas, além de estar sujeitos a acidentes envolvendo a rede elétrica, também podem sofrer consequências judiciais. Quem faz as ligações, conhecidas popularmente como “gatos”, pode ter que responder pelo crime de furto, ficando sujeito às penalidades do artigo 155 do Código Penal, que prevê multas e pena de um a oito anos de reclusão, além da obrigação de ressarcir toda energia furtada e não faturada em até 36 meses, de forma retroativa”, destacou a companhia, por meio de nota.

Em resposta à “ameaça” feita pela Cemig, o diretor do movimento Luta Popular, que organiza a ocupação, Roberto Verônica, garantiu que as ligações clandestinas já estavam no terreno antes mesmo de ele ser invadido. “Foi um aproveitamento. Os moradores não têm alternativa para não ficarem no escuro. É a forma de sobreviver. A necessidade social fala mais alto. As pessoas estão em busca de moradia e elas se viram como podem”, justificou.

Nessa quarta, por cerca de duas horas, cerca de 60 moradores da ocupação fecharam o trânsito na avenida, no sentido Pampulha, para protestar pela falta energia elétrica, desde o último domingo (24), causada, segundo eles, pela danificação de transformadores, queimados recentemente, em um setor do terreno. O grupo colocou fogo em pneus e em madeiras, já que a Cemig não atendia aos chamados.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Cemig informou que enviou uma equipe no local na noite dessa quarta, mas que os técnicos da companhia não conseguiram chegar ao local, em função da manifestação, que bloqueava o tráfego, conseguindo normalizar o fornecimento apenas nesta manhã.

Cerca de 900 famílias ocupam o terreno, que pertence às Centrais de Abastecimento de Minas Gerais.