Entrevista correta faz bem ao espírito

iG Minas Gerais |

A revista “Veja” publicou, nas páginas amarelas, valiosa entrevista com o economista Armínio Fraga, que reflete algumas características definidoras de sua personalidade: refinada educação política e, no campo profissional, amplo e preciso conhecimento de economia, patrimônio de um verdadeiro “scholar”. Não à toa o senador Aécio Neves o escolheu consultor econômico. Político do vulto da velha e requintada escola mineira, hábil conhecedor da ciência de governar e conduzir – tão indispensável ao exercício da liderança dos homens quanto vilipendiada pelos adventícios, ousados e atrevidos invasores de espaços cada vez mais ampliados –, bem expressa o atual representante de Minas no Senado a verdadeira figura do governante sensato e correto: uma personalidade serena e equilibrada, perita na invejável arte da costura política, pronta para receber os encargos e as responsabilidades da nossa mais alta investidura, cujos contornos não lhe escapam à intimidade intelectual, como demonstrou em quase oito anos de familiaridade com o poder no governo mineiro. A abertura do pronunciamento de Armínio Fraga apresenta uma espécie de preliminar do que lhe parece ser a missão a ser confiada ao ministro da Fazenda do futuro presidente: a) Não é possível realizar um governo correto e necessário se os que decidem e governam se mostrarem incapazes de conferir à economia os requisitos preliminares de previsibilidade e transparência. Sem estes, os rumos do governo não se revelam, os agentes econômicos ficam amarrados na paralisia, as providências não tomam corpo, a intenção e o planejamento para investir se transformam em sonho e aventura, os instrumentos que movem a economia cessam de funcionar, os motores do crescimento não arrancam, o poder público se transforma em investidor único, a estrutura organizacional do investimento se recolhe aos tormentos do caos e da desorientação, a geração de emprego cada vez mais vira pó. Em circunstância dessa natureza, acaba o Estado na condição solitária de dono de tudo, como no erro crasso do bolivarismo latino-americano, que tanto fascina ignorantes agentes políticos brasileiros. Restabelecer a confiança na democracia político-representativa e na economia de mercado é o primado de tudo o que o lulopetismo mais despreza. O nome disso é, de resto, “ingovernabilidade”; b) Combater a inflação e o inchaço do setor público. É incrível que, passadas duas gerações, um programa de governo precise enunciar combate, não vigilância constante contra a inflação. A instabilidade geral de preços foi a pior doença que atacou a nação. Combater significa entrar em ação contra; ora, duas décadas do combate exitoso, volta a ser indispensável combater, e não somente continuar controlando. É coisa de incompetentes e irresponsáveis. Quanto ao inchaço no setor público, conseguir o desaparelhamento do Estado já será profilaxia. E que se comece por aí, sobretudo para diminuir o desperdício, a intolerância e truculência que os ensandecidos, os “aloprados” causam à nação.

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