Técnicos só tinham acesso às cenas em que trabalhavam

iG Minas Gerais | Renné França |


Fraiha já está na Nova Zelândia, trabalhando no fim de “O Hobbit”
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Fraiha já está na Nova Zelândia, trabalhando no fim de “O Hobbit”

Para manter a unidade estética de “Guardiões da Galáxia”, os animadores de um estúdio de animação tinham acesso a algumas cenas do outro estúdio. E a Marvel dava instruções sobre quais estilos seguir, às vezes escolhendo certas cenas como exemplo. “O diretor do filme (James Gunn) passava suas instruções para o supervisor de efeitos especiais e o supervisor de animação, que por sua vez repassavam a direção para nós”, descreve Carlos Frahia, o animador mineiro que trabalhou no filme.

Além disso, Frahia também buscou saber o visual do grupo de personagens nas revistas em quadrinhos, pouco conhecidos do grande público: “Eu pesquisei por conta própria para conhecer mais sobre os personagens durante a época de pré-produção”, ele conta. Como o estilo no filme é mais realista, os quadrinhos não foram tanto uma base para a equipe de animação, mas Fraiha queria ter referência dos heróis da Marvel em geral, “especialmente o dinamismo e a expressão das poses”.

Os animadores não tiveram acesso ao roteiro da produção. As sequências animadas eram contextualizadas dentro da trama pelo supervisor de animação, os profissionais só podiam assistir às sequências inteiras em que trabalhavam. No processo, a equipe recebia as cenas filmadas com os atores pelo diretor para, então, serem completadas pelos efeitos.

A câmera da filmagem é recriada no computador num processo chamado câmera tracking/matchmove. E os cenários são modelados de acordo com aqueles filmados. “Pelo menos os elementos necessários ao posicionamento correto do personagem, como o chão, paredes ou cadeiras, ou qualquer coisa com a qual ele precise interagir. Com posse disso, podemos inserir os personagens animados na cena”, explica Fraiha, deixando claro o detalhismo artesanal da técnica.

Tido inicialmente como uma aposta arriscada da Marvel por não conter heróis famosos como Thor, Hulk ou Homem de Ferro, “Guardiões da Galáxia” é um sucesso que surpreendeu muitos analistas da indústria do cinema, mas não o animador: “Eu não tinha ideia de quem eram os personagens antes de ser contratado para trabalhar no filme, mas assim que vi o design do Groot e assisti às primeiras cenas, eu tive certeza de que seria um sucesso. Ou pelo menos tive certeza de que adorei tudo que vi, e que, se o público desse uma chance ao filme, iria se divertir muito”, confessa. 

No momento, Fraiha está envolvido em outra superprodução de sucesso praticamente garantido: “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”, trabalhando para a Weta Digital no capítulo final da trilogia dirigida por Peter Jackson. E apesar de já estar mergulhado no novo trabalho, ainda consegue aproveitar o prazer de ver “Guardiões da Galáxia” finalizado e com seu trabalho e dos colegas sendo elogiado. Hobbit.

“Pude finalmente ver a versão final das cenas, o enquadramento, a luz, as texturas, os cenários”. Mas ele consegue aproveitar a diversão sem ficar procurando os problemas? “Existe sim a obsessão de procurar pequenos defeitos enquanto a gente assiste pela primeira vez, só que isso não prejudicou a experiência no meu caso. O orgulho de ter sido parte do filme é muito maior”, diz. Nada mais natural para alguém que vive desafiando o impossível.

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