Em vídeo, Bernardo grita por socorro e madrasta fala em "agredir mais"

As imagens foram feitas no ano passado e estava em um celular do pai, Leandro Boldrini, que também está preso e responde na Justiça pela morte

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O menino Bernardo Boldrini, que foi morto no interior gaúcho em abril, aparece gritando por socorro e sendo ameaçado de morte pela madrasta, Graciele Uguluni, em um vídeo usado como prova no processo do crime.

Um trecho de áudio da gravação, revelado pelo grupo RBS, mostra o garoto de 11 anos discutindo com Graciele e afirmando que foi agredido por ela. O vídeo foi feito no ano passado e estava em um celular do pai, Leandro Boldrini, que também está preso e responde na Justiça pela morte. "Vocês me agrediram. Tu me agrediu", diz o garoto, na gravação.

Graciele responde que "vai agredir mais" e afirma: "Tu não sabe do que eu sou capaz". Na parte mais impactante da gravação, a madrasta diz, segundo o áudio revelado pela RBS: "Prefiro apodrecer na cadeia a viver nesta casa contigo incomodando."

O garoto então diz: "Queria que tu morresse". Graciele responde: "Vamos ver quem tem mais força". Mais diante, ela fala: "Vamos ver quem vai para baixo da terra primeiro". Leandro, na gravação de 1min25s, aparece em três momentos. Diz para o garoto se acalmar e afirma que "ninguém merece ser xingado".

"Quem que começou a fazer isso [a briga]?", diz o pai, no início. A delegada Caroline Machado, que depôs na terça-feira (26) na primeira audiência na Justiça sobre o caso, disse que no vídeo Bernardo aparece também tomando um medicamento dado pelo pai. O garoto, mais tarde, era mostrado com a fala "grogue", segundo a policial.

Ela contou à Justiça que Graciele afirmou na gravação: "Tu vai ter o mesmo fim da tua mãe". A mãe de Bernardo, de acordo com a polícia, cometeu suicídio em 2010. Segundo o Tribunal de Justiça gaúcho, há uma outra gravação feita pelo celular de Leandro em que o menino aparece com "um facão em mãos", como se estivesse fazendo ameaças. A delegada disse que Leandro, antes da morte, foi até a delegacia e mostrou as imagens, "com a intenção de se precaver". Segundo a policial, nenhuma testemunha descreveu o garoto como agressivo.

Na última terça-feira (16), a Justiça do município de Três Passos, onde a família morava, ouviu mais três pessoas na audiência: uma outra delegada, um médico amigo de Leandro e a dentista de Bernardo --todos como testemunhas de acusação.

Outras 29 testemunhas devem prestar depoimento em uma sessão marcada para o dia 8 de setembro. O pai e a madrasta não compareceram na terça-feira. A defesa de Leandro nega qualquer participação dele no crime. Graciele disse, em depoimento, que a morte foi acidental.

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