Ademir da Guia, o Divino

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Uma das razões de algumas boas partidas no Brasileirão é a boa qualidade dos gramados. A CBF, a partir de 2015, deveria, com rigor, aprovar somente estádios com excelentes gramados. Isso é básico. O do Serra Dourada, em Goiânia, que já foi o melhor do Brasil, está ruim. Mesmo assim, Everton Ribeiro deu um ótimo passe para Marcelo Moreno fazer o gol da vitória do Cruzeiro, por 1 a 0, sobre o Goiás. Enfim, Muricy definiu a maneira de jogar do São Paulo. Quando a equipe perde a bola, Kaká, pela esquerda, e Ganso, pela direita, voltam para marcar e formam, com os dois volantes, uma linha de quatro. O Cruzeiro faz o mesmo, com Everton Ribeiro e Willian. A defesa fica mais protegida. Quando recuperam a bola, os meias avançam, sem posições fixas. Ganso nunca atuou em um espaço tão grande. Uma semelhança, hoje, entre várias grandes equipes é a de que não há mais um típico camisa 10, de quem os nostálgicos brasileiros tanto gostam, que joga em um pequeno espaço, que não participa da marcação e que espera a bola no pé, para dar um passe ou tentar o gol. Ganso percebeu isso, com a ajuda de Muricy, o que faz dele um meia muito mais completo e melhor. Everton Ribeiro e Ganso me fazem lembrar Ademir da Guia, o Divino. Joguei várias vezes contra ele. Foi o melhor jogador que vi atuar pelo Palmeiras. O Cruzeiro era mais veloz, por causa de Dirceu Lopes, e o Palmeiras trocava mais passes curtos, por causa de Ademir, dois camisas 10 excepcionais. Por que não há hoje, na seleção brasileira, um único armador fora de série? Quando houve a ruptura? Penso que foi na divisão do meio-campo, entre os volantes e os meias ofensivos. Desapareceram os meio-campistas, que atuavam de uma área à outra, como Ademir e Dirceu. Há vários deles na Europa, o que mostra que não foi o futebol moderno que fez sumir esse jogador no Brasil. Foi a escolha dos técnicos. Ademir da Guia parecia um cisne branco, deslizando pelo gramado, alto, elegante, com passadas largas e com a bola colada aos pés. Raramente, errava um passe. Diziam que Ademir era um falso lento. Essa dicotomia entre falso e verdadeiro, falso lento, falso nove e outros falsos por aí sempre esteve presente no imaginário das pessoas. Hoje, na sociedade do espetáculo, cada vez é mais difícil separar o que parece e o que é. Algumas vezes, quem é não parece ser, e o que parece não é. “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou” (Fernando Pessoa).

FMF Martín Fernandez, jornalista do Globoesporte.com, mostrou que, há pelo menos 11 anos, a Federação Mineira de Futebol (FMF) não pode movimentar contas em banco, bloqueadas pela Justiça, por causa de dívidas com o governo federal. Todo o dinheiro fica em uma empresa de segurança, e a FMF vai tirando aos poucos, para pagar funcionários e fornecedores. Já foi roubado, de um carro-forte, R$ 1 milhão. A nova diretoria da FMF, eleita em junho, já conseguiu incluir a entidade no Refis (Programa de Recuperação Fiscal do Governo Federal) e tem esperança de, em breve, poder movimentar contas em banco. É inacreditável essa situação. Retrata muito bem a desorganização do nosso futebol, dos clubes e das federações.

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