Marcela Valle Tenista brasileir

“Na Europa, com 12 anos, as meninas já mudam de país para jogar sem os pais. Então, isso cria uma maturidade precoce, coisa que não acontece no Brasil.” Marcela Valle Tenista brasileirValle Tenista brasileir

iG Minas Gerais | Daniel Ottoni |

Quando viu que deveria levar o esporte a sério? Teve dúvida sobre o caminho que deveria seguir? A família apoiou desde o começo?

Eu nunca tive dúvidas. Com 11 anos, tive que decidir entre o tênis e a natação, esporte o qual também praticava e inclusive em que sobressaía. Aos 14 anos, veio a decisão de verdade, teria que mudar de cidade para conseguir alcançar o que eu realmente sonhava. Com apoio da minha família, me mudei para Uberlândia com a minha mãe. Eu sempre tive muito apoio da família e sou muito grata por isso. Teve que deixar os estudos de lado?

Quando decidi que queria jogar profissionalmente, tive que fazer à distancia o 2º e o 3º anos do Ensino Médio. Conversei muito com meus pais, pois o estudo sempre foi prioridade na minha casa. Depois de muita conversa, a condição para eu continuar no esporte seria não parar de estudar. Quando voltava das viagens, algumas com duração superior a um mês, estudava e retomava toda a matéria. Graças a isso, nunca tive notas ruins, muito pelo contrário. Fico feliz de os professores sempre terem me elogiado por conseguir fazer ambas as coisas. Quais foram as maiores mudanças a partir do momento em que você entrou para o circuito internacional?

Com certeza foi ter que viver sozinha. Lembro de uma vez que fui jogar na Argentina, em meu primeiro torneio internacional juvenil, em janeiro de 2009, com 14 anos. O alojamento era péssimo, não tinha nenhum outro lugar para ficar, o quarto era minúsculo. Quando fui tomar banho me deparei com uma barata. Com ajuda da minha companheira de quarto, consegui matá-la. Ali, percebi que tudo dependia de mim. Cheguei a ligar para minha mãe, chorei e ela ficou muito preocupada comigo. Foi um episódio simples, mas que me deu uma importante lição. O nível das adversárias fora do país é aquele mesmo que você imaginava?

O tênis é um esporte muito difícil. Requer muito treino. E quanto ao nível das adversárias, sempre imaginei que seria bom, principalmente na Europa, onde está o melhor núcleo do tênis no mundo. As meninas jogam bem, são extremamente profissionais e têm uma maturidade diferente em relação às atletas do Brasil. Na Europa, com 12 anos as meninas já mudam de país para jogar sem os pais. Então isso cria uma maturidade precoce, coisa que não acontece no Brasil. Nosso país não está errado, são só culturas diferentes. Quais são suas referências no esporte?

Admiro muito o Guga, um exemplo de humildade, uma pessoa que sempre batalhou muito na vida e agora segue ajudando as pessoas. Sem dúvida, minha maior referência hoje é o tenista Rafael Nadal, gosto muito de vê-lo jogar. A forma como ele lida com as situações de pressão e como ele é lutador o transforma em um grande atleta. Aonde pretende chegar?

Tenho o sonho de ser top 50 do mundo, jogar todos os quatro Grand Slams. O tênis feminino do Brasil ainda tem muito a evoluir?

A diferença é a fase de amadurecimento. Muitas brasileiras se perdem por levarem mais tempo do que as europeias para amadurecer e largam o processo de desenvolvimento cedo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave