Dilma, Aécio e Marina duelam e são alvos dos nanicos

Na Band, três principais candidatos não fugiram dos embates diretos e trocaram farpas o tempo inteiro

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

Principais candidatos não tiveram vida fácil, apesar dos cumprimentos antes de o programa começar
AP Photo
Principais candidatos não tiveram vida fácil, apesar dos cumprimentos antes de o programa começar
No primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2014, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) não fugiram do embate e trocaram ataques na luta por arranhar a imagem do adversário junto ao eleitorado. Mas, enquanto "brigavam", foram alvos também dos outros candidatos - Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB) - que se revezavam em críticas aos três líderes das pesquisas. A entrada de Marina na linha de fogo já era esperada após seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto, após assumir o lugar de Eduardo Campos na chapa. Antes, Aécio e Dilma preferiam críticas apenas um ao outro. Sobre Marina pesaram sobretudo críticas sobre uma eventual contradição em suas ideias e trato político e em respeito à sua falta de experiência. Aécio precisou ouvir os adversários criticarem os fundamentos do governo Fernando Henrique Cardoso e a ideia de que sua eleição seria um "retrocesso". Dilma, por sua vez, sofreu com críticas sobretudo à situação econômica no país atualmente, além das conhecidas deficiências nos setores de saúde e educação no país.   O primeiro 'tiro' O primeiro ataque a Marina Silva veio ainda no primeiro bloco, quando os candidatos foram convidados a falar sobre suas propostas para a segurança. Luciana Genro abriu mão de tratar diretamente do assunto para se apresentar, lembrar que foi expulsa do PT "pela turma de Zé Dirceu", que é contra a "privataria tucana que dá até aeroporto para família" e dizer que não concorda com aquela que se apresenta como "nova política, mas tem na coordenação de campanha uma banqueira tradicional". Neste último caso, após as críticas indiretas a Dilma e Aécio, o alvo era justamente a candidata do PSB, que tem a herdeira do Itaú, Maria Alice Setúbal, como uma de suas incentivadoras. Enquanto isso, os outros candidatos em falar sobre propostas para o tema, sempre focadas na integração entre os trabalhos no âmbito estadual e federal.   Duelos A partir do segundo bloco, no entanto, com o embate direto entre os candidatos, o encontro da Band esquentou e ganhou a cara da disputa política que se percebe nas pesquisas. E veio justamente de Marina Silva a iniciativa do primeiro confronto. Ela perguntou "o que deu errado" nos pactos anunciados pela presidente após as manifestações. Dilma rebateu elencando o que teria feito para resolver os problemas colocados nos protestos, citando royalties para a educação, o programa Mais Médicos, defendendo os números relativos ao combate à inflação e seu desejo de uma reforma política feita em parceria com a população. Ouviu como resposta de Marina que a presidente mostrava um Brasil colorido e cinematográfico e afirmou que é importante saber reconhecer os erros. Em sua primeira pergunta, Dilma mirou Aécio, perguntando quai as medidas impopulares que iria tomar, após tecer críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso. Aécio criticcou os números da economia no governo petista e afirmou que a gestão "surfou e se valeu muito das reformas do governo FHC", concluindo que "a bendita herança acabou". Dilma rebateu dizendo que a gestão tucana quebrou o país três vezes, promoveu desemprego, cortou salários e deu tarifaços. Na tréplica, Aécio ainda ironizou os elogios da presidente a FHC em seu primeiro mandato. Quando o embate foi entre Aécio Neves, que perguntava, e Marina Silva, que respondia, o tucano questionou a coerência da candidata do PSB à Presidência, que se recusou a subir no palanque de Geraldo Alckmin, mas defendeu ter José Serra ao seu lado no governo. Marina que é coerente ao defender uma nova política e disse que PT e PSDB têm dificuldades de entender o que seria esse governo proposto por ela. Ela ainda citou o auxílio que deu ao governo Fernando Henrique no Congresso, mesmo quando era do PT. Antes, Aécio lembrou que ela fazia parte do PT, que hoje tanto critica.   Embates mais quentes Mesmo no bloco em que se deram as perguntas de jornalistas, o confronto entre os três principais candidatos continuou dando o tom. Sobretudo pelo fato de os representantes da emissora terem escolhido exatamente os principais rivais para comentar as questões mais relevantes. Em um desses, na discussão sobre a situação econômica do Brasil, Aécio e Dilma divergiram mais duramente. Após ouvir a presidente culpar a crise mundial por eventuais problemas, o tucano reagiu. "Estamos vendo aqui um embate do Brasil real com o virtual", que perguntou ao telespectador se ele achava que conseguia comprar a mesm coisa que há seis meses no mercado. Aécio ainda disse que se a resposta for negativa, Dilma não merecia mais um mandato. A presidente, por sua vez, usando do mesmo artifício, pediu que o telespectador avaliasse se há mais emprego, moradia, mais comida na mesa do que há doze anos atrás. Quando a pergunta foi para Marina Silva, a discussão se deu entre a necessidade de alguém com "visão estratégica" ou um "gerente" no comando do país, com alfinetadas nas entrelinhas. Marina falou em corte de ministérios e Dilma indagou quais pastas seriam cortadas. A presidente disse que o titular do cargo não pode viver "só discursando", enquanto Marina defendeu que ele tenha "legitimidade". Quando Aécio precisou falar sobre a quantidade de cargos comissionados, ocupados por apadrinhados no governo brasileiro, o candidato do PSDB falou sobre sua experiência no governo de Minas, citando o choque de gestão. Marina Silva, por sua vez, afirmou que, assim como no caso do governo cinematográfico no nível nacional, o mesmo acontece no Estado governado pelos tucanos. Para isso, citou insatisfação dos professores e descaso com o Vale do Jequitinhonha. Aécio então disse que Marina cometia injustiça "mais por desconhecimento e não com má-fé".   Briga polarizada A disputa entre Aécio Neves e Dilma Rousseff continuou no bloco de perguntas entre candidatos. Foi quando o tucano colocou a questão da Petrobras em discussão, dizendo que Dilma "deveria pedir desculpas" por conta da gestão de seu governo na companhia. A presidente afirmou que Aécio "desconhece a Petrobras", citou números da companhia e afirmou que não foi o seu governo que tentou "mudar o nome da Petrobras para Petrobax". Aécio ainda citou o que considera "graves denúncias" de corrupção apontadas, não pelos adversários, mas pela Polícia Federal, que faz parte do governo. A petista, por sua vez, disse que, na época do governo Fernando Henrique havia um "engavetador-geral da República". Aécio e Dilma ainda trocaram farpas na discussão sobre os conselhos de participação popular. Para Aécio, o governo "avilta o Congresso", ao querer transformar a democracia representativa em uma democracia direta. A presidente, por sua vez, disse que os tucanos "sempre tiveram medo do diálogo".   Marina ataca tucano e petista Quando Marina foi chamada de radical na defesa do ambientalismo, por um jornalista, em posição que teria criado obstáculos ao desenvolvimento do país, Aécio evitou o ataque. Após Marina dizer que os mais difíceis licenciamentos saíram quando ela era ministra do Meio Ambiente, Aécio preferiu reforçar críticas ao governo Dilma, poupando a candidata do PSB. Ela, porém, não retribiu. Afirmou que, o PSDB, assim como PT, também teve "um risco de apagão para chamar de seu". Em pergunta sobre o Mais Médicos, Dilma defendeu o modelo de pagamento aos cubanos, mas ouviu de Marina que o programa era paliativo. A presidente afirmou que cuidar da saúde não é um paliativo e defendeu os resultados do programa.   'Nanicos' contra 'grandões' Além dos embates diretos, os três candidatos de maior musculatura política também precisaram enfrentar o bombardeiro de Luciana Genro, Pastor Everaldo, Levy Fidélix e Eduardo Jorge. Aécio, por exemplo, ao afirmar que é a favor da atual legislação contra o aborto, ouviu de Eduardo Jorge que a legislação é cruel e questionou uma "lei opressiva, reacionária" defendida pelo adversário. Para Dilma, grande parte das críticas vieram de Pastor Everaldo. Ele criticou o gasto de dinheiro em portos cubanos, criticou a política energética brasileira e o que considerou ineficiência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Marina Silva recebeu mais 'tiros' de Luciana Genro. Ela questionou a dificuldade de Marina lidar com temas religiosos, lembrou o fato de a candidata ter entre seus colaboradores economistas com vínculos históricos com o PSDB, a que culpou por desemprego e aumento de tafifas e disse que essa nova política proposta pela candidata do PSDB já foi vista antes da eleição de Lula em 2002. Marina ainda foi cobrada por Eduardo Jorge sobre uma suposta falta de propostas: "A senhora tem que falar desde já quais são as suas ideias", criticou. Levy Fidelix citou a relação de Marina com banqueiros e empresários que, segundo ele, têm problemas fiscais.   Nanicos x nanicos O que se deu de mais raro no debate foi o embate entre 'nanicos'. Mas eles também aconteceram. Em suas considerações finais, Eduardo Jorge (PV), disse que Luciana Genro (PSOL) era contra a política 'paz e amor', e que ele era a favor, pois defendia a democracia e repudiava o autoritarismo de direita e de esquerda.  A socialista, por sua vez, recusou-se a chamar o candidato do PSC de Pastor Everaldo, dizendo que não gostaria de misturar política e religião. Por sua vez, Everaldo disse que nunca teve preconceitos, apesar de sua vinculação a uma denominação. Luciana também se envolveu em uma discussão com Levy Fidelix (PRTB) sobre segurança pública. Ela, com políticas de flexibilização do aparato de repressão. Ele, defendendo políticas mais duras, incluindo a redução da maioridade penal.   Considerações finais Além de Eduardo Jorge, que criticou Luciana Genro, os outros candidatos também usaram seu tempo final para alfinetar rivias. Marina lembrou primeiro a dor da morte de Eduardo Campos e, posteriormente, apontou dificuldades colocadas para a criação da Rede Sustentabilidade. Aécio Neves afirmou que é preciso mudar a política econômica, mas que "não é hora de aventura ou improviso". Dilma citou Lula e defendeu o que considera conquistas do seu governo.

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