Inadimplência no pagamento de condomínio é de 11,25%

Consumidor atrasa primeiro a taxa do prédio, porque juro é baixo e é difícil chegar a ir para o SPC

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Precaução. Gilberto Coelho Vespúcio orienta a estagiária Mayura Rezende, que alerta condôminos
RICARDO MALLACO
Precaução. Gilberto Coelho Vespúcio orienta a estagiária Mayura Rezende, que alerta condôminos

Se as contas são muitas e a renda nem tanto, tem hora em que o consumidor precisa escolher qual vai pagar. Entre prestações que o brasileiro está equilibrando, o condomínio é forte candidato a ficar para depois, porque a multa é menor do que das parcelas de carro, casa, cartão de crédito e lojas. A tendência já pode ser constatada na taxa de inadimplência, que, segundo a Câmara Mineira de Imóveis o Sindicato da Habitação (CMI/Secovi-MG), está em alta em Belo Horizonte. No primeiro semestre de 2014, foi 11,25%, 0,78% maior do que era no mesmo período do ano passado.

O vice-presidente das administradoras de condomínios da CMI/Secovi-MG, Leonardo Mota, explica que, quando a sociedade está endividada, não existe prioridade para pagar condomínio. “Se não paga, a multa por atraso é de 2%, mais juros de mora de 1% ao mês. Isso é menor do que as outras dívidas. E o nome também não vai facilmente para o SPC”, justifica. Para se ter uma ideia, se o consumidor deixar de pagar o cartão de crédito, terá que pagar juros de 10,7% ao mês. Se atrasar o cheque especial, a taxa é de 8,34%, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A GW administra cerca de 500 condomínios. O diretor da administradora, Gilberto Vespúcio, explica que a situação atual da economia tem reflexos diretos na pontualidade de pagamento. “As pessoas estão muito endividadas e não conseguem organizar as finanças. Além da inadimplência ter subido, percebemos um aumento de 15% no percentual de condôminos que pagam, mas com atraso de até 30 dias”, destaca Vespúcio. Para evitar que a inadimplência cresça, a GW contratou um estagiário de direito para ajudar nas cobranças. “Temos um sistema de cobranças, mas é muito menos constrangedor receber uma ligação educada, para lembrar que o pagamento está atrasado. Temos conseguido ótimos resultados”, conta Vespúcio. Mota ressalta que valorização dos imóveis para locação também tem contribuído para elevar a inadimplência. “Os preços estão altos, os imóveis ficam mais tempo vazios, e, sem a renda da locação, às vezes o proprietário não paga o condomínio. O mesmo ocorre com imóveis com entrega em atraso.”

O que diz a lei Código Civil. O Artigo 1336 diz que o condômino que não pagar em dia ficará sujeito aos juros de mora convencionados ou, não sendo previstos, de 1% ao mês, mais multa de até 2% ao mês.

Endividamento sobe em agosto RIO DE JANEIRO. O número de consumidores endividados aumentou em agosto, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada ontem. O percentual de famílias com dívidas passou de 63% em julho para 63,6% este mês – um crescimento de 0,06%. Em relação a agosto de 2013, também houve alta, de 0,05% na fatia das famílias endividadas. Segundo a CNC, o aumento no número de famílias endividadas foi registrado nas duas faixas de renda pesquisadas, ou seja, até dez salários mínimos e acima de dez salários mínimos.

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