Com o foco na percussão

Festival Internacional de Música dedicado aos batuques traz mais de 15 atrações do Brasil e do exterior, a partir de hoje

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Fernando Rocha coordena o FIM e toca com pupilos da UFMG
ÍCARO MORENO RAMOS/DIVULGAÇÃO
Fernando Rocha coordena o FIM e toca com pupilos da UFMG

Nos últimos anos, ainda que nem sempre por esquinas tão badaladas, deu para notar como a cultura da percussão tem reverberado mais alto na capital mineira. Desde a explosão há dois anos de blocos carnavalescos que se tornaram referência de batuque ao desfilar pelas ruas no Carnaval, passando pelo inauguração do recente Núcleo de Estudos de Cultura Popular (NECUP) com aulas de percussão latina no bairro Prado, até o grupo Tira o Queijo com encontros semanais regados a maracatu na praça da Estação. De carona nesta crista, o II Festival Internacional de Música – Percussão Contemporânea (FIM) reestreia hoje, com extensa programação até sábado, dia 30, passados dez anos de sua primeira edição. Ainda que tenha resultado em apenas três festivais em uma década – um voltado à percussão em 2004 e outros dois que resultaram no nascimento do Festival Internacional de Violão, em 2005 e 2006 – o FIM retorna com uma proposta maior do que divulgar a percussão universitária, uma vez que é idealizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultural, além de patrocínio da Unimed. “Passei cinco anos no Canadá estudando, o festival esfriou um pouco, mas agora sentimos que é um bom momento para voltar, pelas transformações da cidade. Para mim, apesar de ser um evento que nasce na universidade, a escola não forma o músico. E a gente tem que dar a visão mais ampla possível para os alunos e para o público que gosta de percussão ou nem conhece. Por isso, a trazemos artistas que não são comuns, que misturam culturas e instrumentos inimagináveis”, diz Fernando Rocha, organizador do festival e professor de música da UFMG. Nesse sentido, cerca de 20 músicos do Brasil e de países como Canadá, Argentina e Taiwan vão se apresentar em palcos diferentes no campus Pampulha, Conservatório UFMG, Fundação de Educação Artística (FEA) e praça da Liberdade, em uma programação diária que se estenderá das 11h à meia-noite. Os ingressos serão vendidos a preços populares de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), e os workshops vão ser ministrados gratuitamente, com senhas distribuídas antes de cada atividade. HISTÓRIA. A abertura do festival fica por conta do Grupo de Percussão da UFMG, criado em 1998 e que deu origem ao FIM há dez anos com o intuito de ampliar os conhecimentos universitários. Agora, os dez jovens músicos que compõem o grupo atualmente fazem uma apresentação singular ao lado do baterista Marcio Bahia, integrante da banda do multiinstrumentista Hermeto Pascoal. A partir das 19h de hoje, em um show no gramado em frente à reitoria do campus Pampulha, o grupo vai dividir as canções executadas em três partes. Na primeira, a execução da inédita “In Memoriam Harvey”, composição erudita do aluno João Pedro Oliveira. Depois, interpretam uma peça australiana simultaneamente à exibição do filme mudo “Invisible Man” (1907). Por fim, o grupo faz uma homenagem, com um conjunto de seis canções, a Hermeto Pascoal. “A abertura mostra a cara do festival, com o grupo interpretando peças eruditas, mas também reinventando canções do Hermeto com ousadia. Vamos usar uma percussão eletrônica com efeitos, além de seis caixas acústicas para amplificar os tambores”, diz o percussionista José Henrique Soares, assistente de produção. Com a retomada do FIM neste ano, a ideia de Fernando Rocha é que o festival possa se firmar como evento anual em Belo Horizonte e expandido até para outros espaços. “Podemos aproveitar outras praças, como Santa Tereza ou praça da Estação, quem sabe. Crescer é uma consequência”, diz.

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