Advogada leva celular para preso no Ceresp

Bacharel foi flagrada passando aparelho para detento na hora da conversa no Ceresp de Betim

iG Minas Gerais | Evandro Teles |

Ocorrência foi encerrada na Delegacia de Plantão de Betim na manhã de ontem
Nelson Batista
Ocorrência foi encerrada na Delegacia de Plantão de Betim na manhã de ontem

Uma advogada de 54 anos foi detida ao levar um aparelho celular para um detento do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Betim, na região metropolitana. O fato aconteceu na tarde de ontem.

Segundo nota da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), os agentes penitenciários impediram que um celular e dois chips entrassem na unidade com o detento Walisson Inez Quintino após conversa com sua advogada.

“A advogada Zélia Maria Vasconcelos Chaves já era monitorada pelo setor de Inteligência do Ceresp. Ao sair do parlatório, os agentes revistaram o detento e encontraram o material. A unidade acionou a Polícia Militar para registrar a ocorrência e fazer a condução da advogada à Delegacia de Polícia Civil de Betim”, informou a nota da Suapi.

Ainda de acordo com a nota, “o detento sofrerá as sanções administrativas como dez dias sem direito a banho de sol e visitas, além de passar pelo Conselho Disciplinar” da unidade.

Um agente penitenciário, que pediu para não ser identificado, contou à reportagem que o celular foi encontrado dentro da roupa do detento. “Ele vestia duas cuecas, que é para dar mais volume e não deixar o aparelho cair. Ao ser questionado onde ele teria conseguido o aparelho, o preso confessou que foi a própria advogada dele que levou o aparelho”, disse o agente do Ceresp Betim.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Betim, Gilberto Marques de Sá, disse que a entidade repudia esse tipo de postura. “Somos totalmente contra essa atitude e fazemos campanha nesse sentido, de que o advogado faça o seu trabalho dentro da lei”, disse.

Segundo ele, a advogada detida pode sofrer processo interno. “Vamos aguardar o encaminhamento da autoridade policial. Ela corre o risco de passar por um processo disciplinar, que pode ser advertida ou ter a licença suspensa. Mas isso só será definido após termos o boletim de ocorrência. Além disso, ela terá total direito para se defender”, completou.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave