Nelma Luz

Nelma Luz 50, professora universitária ex-paciente e vítima de Abdelmassih

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

O filho de Nelma nasceu com distúrbio genético e morreu ainda bebê
Arquivo pessoal
O filho de Nelma nasceu com distúrbio genético e morreu ainda bebê

Como você chegou à clínica de Abdelmassih?

Tinha 44 anos, e meu temor era gerar uma criança com algum problema de saúde. Queria um teste de PGB, que poderia detectar doenças cromossomiais no embrião. Sou do Rio de Janeiro e só fui a São Paulo para fazer esse teste e garantir a saúde dos meus bebês porque aquela era a melhor clínica.

O exame foi feito?

Não. No dia em que fiz a aspiração dos óvulos, fui até o Roger (Abdelmassih) e deixei bem claro que queria que o PGB fosse feito. Ele me falou que eu não havia pagado por aquilo – e eu havia. Passei outro cheque, que nunca foi descontado.

Você chegou a engravidar?

Sim. Logo no início do tratamento, ele me deu três opções de fecundação: óvulos e esperma, meus e do meu marido; material genético de outras pessoas; ou um mix entre nossos materiais genéticos e os de outras pessoas. Ele ainda me falou “pode ficar tranquila que não vou colocar óvulos de nenhuma ‘neguinha’”. Deixamos claro que só aceitávamos a primeira. Ele implantou quatro embriões, eu engravidei de um.

Mas seu filho não nasceu saudável...

No sexto mês de gestação, a ultrassonografia detectou que havia problemas. O Guilherme nasceu de 7 meses, com síndrome de Edward (triplicação do cromossomo 18) e a saúde toda comprometida. O Guilherme padeceu demais, passou seus três meses de vida no hospital e suportou coisas que muitos homens adultos não suportam. Ele faleceu porque um médico soberbo, um monstro, não fez o exame pelo qual eu paguei duas vezes.

Todos os óvulos coletados foram utilizados em você?

Não. O que eu queria saber é onde foram parar os meus outros oito óvulos que foram coletados. Não tenho meu filho comigo, mas pode ser que haja alguma mulher que tenha um filho geneticamente meu. Eles faziam perguntas minuciosas, tiravam várias fotos das pacientes – provavelmente para fazer um banco de material genético. Ele ainda dizia que “cabelo lisinho todo mundo quer”.

Você acha que foi abusada durante o tratamento?

Eu não acordei durante o procedimento. Não posso afirmar o que houve.

O que sente ao vê-lo preso? Minha preocupação é que ele não tenha nenhuma chance de pagar essa pena em domicílio, porque ele é riquíssimo e usa “laranjas” para esconder seu patrimônio. 

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