Memórias familiares de um pai para a recém-chegada Beatriz

Livro “Caderno de um Ausente” será lançado hoje com a presença do autor João Carrascoza

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Escritor revela que seu novo livro não tem traços autobiográficos
Renata Massetti / Divulgacao
Escritor revela que seu novo livro não tem traços autobiográficos

Um pai, próximo dos 60 anos de idade, resolve escrever um caderno para Bia, sua filha recém-nascida, lhe contando coisas do mundo e de sua família. Esse é o eixo central do livro “Caderno de um Ausente”, de João Anzanello Carrascoza, que vem a Belo Horizonte para lançar a obra e participar do projeto Ofício da Palavra hoje, no Museu de Artes e Ofícios. “É um espaço de anotações que esse pai vai fazendo para falar sobre determinados assuntos, que estão soltos”, comenta ele.

O livro tem uma estrutura fragmentada, na qual, as temáticas abordadas pelo pai se confundem com sua própria história. Além disso, o projeto gráfico deixa páginas com espaços vazios para demonstrar fisicamente que aqueles pensamentos e reflexões não foram compostos de uma só vez. As lacunas se parecem com correções feitas com corretivo líquido branco. “Desde a escrita, há uma lacuna entre certos trechos. Ele (o pai) para ali e retoma em um outro momento. Uso esse recurso porque, ao mesmo tempo que o pai escreve para a Bia, ele fala consigo”, revela Carrascoza.

Trata-se do segundo romance do autor, conhecido por sua prolífica e bem recebida produção em contos literários. Seu primeiro romance “Aos 7 e aos 40”, bem como grande parte de sua produção são centradas em personagens masculinos que conversam. Geralmente, pais e filhos. “Esse (‘Caderno de um Ausente’) é seguramente o meu trabalho em que o feminino aparece com mais vigor”, garante o autor. “Eu acredito que seja importante um escritor seguir o seu caminho e aprofundar algumas questões estéticas. Mas por outro lado, é fundamental que ele arrisque novas coisas. E eu me coloquei nesse exercício de desbravar o novo. Fazer algo diferente da minha produção anterior”, completa.

Fato curioso é que as anotações deixadas pelo pai para Bia são todas em segunda pessoa, usando um português arcaico. (“Registro aqui, Bia, que hoje saístes da maternidade e viestes pra casa”) “Aparece em alguns lugares do livro. Ele demonstra uma certo respeito por quem está chegando. Eu buscava uma solução para que o texto não fosse uma coisa tão comezinha”, pontua Carrascoza.

Agenda

O quê. Ofício da Palavra com João Carrascoza, lançamento de “Caderno de um Ausente” (ed. Cosac Naify, 128 pags., R$ 34,90)

Quando. Hoje, às 19h30.

Onde. Museu de Artes e Ofícios (praça da Estação, s/n°, centro)

Quanto. Entrada franca

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