Hora e vez dos novos talentos

Jovens músicos brasileiros ganham, pela primeira vez, chance de se apresentar no conceituado festival instrumental

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Chance. O pianista capixaba Hercules Gomes participa pela primeira vez do MIMO e foi escolhido entre 346 concorrentes musicais
Dani Gurgel/Divulgação
Chance. O pianista capixaba Hercules Gomes participa pela primeira vez do MIMO e foi escolhido entre 346 concorrentes musicais

Sem se limitar aos shows de grandes artistas, o 11º MIMO também traz aos palcos de Ouro Preto, Olinda, Paraty e Tiradentes quatro revelações da música instrumental brasileira, que pela primeira vez ganham espaço no festival. Além disso, uma série de oficinas e workshops, exibição de filmes e eventos paralelos podem ser conferidos ao longo da programação, que se estende entre 29 de agosto e 19 de outubro.  

Em toda a seleção de novos talentos para se apresentar no MIMO, foram 346 concorrentes inscritos de várias partes do Brasil, em uma seleção que durou cerca de três meses. Incumbidos da tarefa de jurados, Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs, Fernando Souza, programador da Casa da Música em Portugal, além do jornalista Marcelo Monteiro, escolheram os selecionados. “Foi uma dificuldade porque tínhamos desde o rock n’ roll pesado até samba e chorinho. Ano que vem vamos tentar separar os novos talentos por nicho, é uma ideia para facilitar a seleção”, avalia a diretora artística do MIMO, Lu Araújo.

Em Ouro Preto, o pianista capixaba Hercules Gomes, 28, abre a participação de novos talentos no MIMO, a partir das 15h deste domingo, dia 31, em show ao ar livre na praça Tiradentes. No repertório, o músico formado pela Unicamp vai interpretar canções do elogiado disco “Pianismo” (2013), que passeia por compositores como Edu Lobo, Radamés Gnatalli, Hermeto Pascoal e Ernesto Nazareth. “É uma chance única e incrível para mim tocar ao lado de lendas do jazz e da música instrumental que admiro, além de outros talentos que vou conhecer. Vou manter o repertório do meu disco, mas podem acontecer improvisações também”, diz o pianista.

Em Olinda, o instrumental contemporâneo fica representado pelo trombonista Jorginho Neto, 32, referência do samba jazz moderno, enquanto em Paraty o som da nova geração será instrumental será reverberado pelo jovem Quarteto de Clarinetas Ômega, formado em 2009, mas já convidados a participar do XXI Festival Internacional de Orquestras Jovens da Europa (2010). Por fim, na estreante cidade de Tiradentes recebe a ousada Couttoorchestra, de Aracaju. Formada pelos músicos Alisson Coutto (trombone, guitarbanjo, samples), Vinícius Bigjhon (acordeon e teclado), Rafael Ramos (teclado e contrabaixo) e Fabinho Espinhaço (bateria), a orquestra mistura gêneros completamente distintos como cumbia, jazz, maracatu, tango, forró, valsa e as tradicionais marchas dos Balcãs com a música eletrônica. “É nossa primeira vez no MIMO e uma oportunidade única. Acho que a nossa entrada no festival mostra como o evento ficou plural ao longo dos anos. A gente tá tocando no mesmo evento que o filho do Chaplin, Christopher Chaplin, o João Donato, o Chick Corea. E trazer essa diversidade que chamamos de ‘eletrofanfarra’ vai servir para que o público entenda que música instrumental nem sempre é careta”, diz Vinícius Bigjhon.

OUTRAS ATIVIDADES. Com duração de 13 dias, O MIMO vai oferecer mais de 30 shows, 15 filmes exibidos em programação paralela, além de mais de 30 oficinas, palestras e workshops em todas as cidades.

Em Ouro Preto, o festival também traz duas manifestações à parte, conhecidas do público. A primeira é a tradicional “Chuva de Poesia”, criada pelo poeta, tipógrafo, designer e artista plástico Guilherme Mansur. Como de praxe, às 16h em ponto desde domingo, dia 31, milhares de folhas coloridas com tipografias especiais são lançadas ao léu do alto da Igreja Nossa Senhora do Carmo, instigando o público a perseguir os papéis pelas ruas.

Junto a isso, o Fórum de Ideias, criado em 2013, ganha nova edição com o tema “Poesia e Música”. O projeto homenageia, neste sábado, dia 30, a poesia marginal e os autores Torquato Neto, Paulo Leminski e Antônio Carlos Brito.

Detalhes

Números. Desde que foi criado, em 2004, o MIMO levou 240 concertos a um público estimado de 630 mil espectadores em Olinda, Ouro Preto e Paraty. Segundo Lu Araújo, diretora artística do festival, a ideia é que no ano que vem o evento seja expandido para outras cidades, como Diamantina.

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