Mãe é suspeita de tentar matar filho de 4 meses

Mulher teria depressão pós-parto e foi flagrada sufocando criança com aerossol

iG Minas Gerais | jhonny cazetta |

Quadro clínico. Bebê estaria com bronquiolite e, após tentativa de homicídio, foi internado em CTI
DENILTON DIAS – 11.03.2014
Quadro clínico. Bebê estaria com bronquiolite e, após tentativa de homicídio, foi internado em CTI

A Polícia Civil investiga a tentativa de homicídio de uma criança de apenas 4 meses, dentro do Hospital Vila da Serra, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. A suspeita de cometer o crime seria a própria mãe da criança, de 30 anos, que estaria em depressão pós-parto. De acordo com depoimentos prestados por funcionários do hospital nesta segunda, o crime teria acontecido no último dia 15. Na ocasião, o boletim de ocorrência registrado relatou que a mãe foi flagrada tentando sufocar o bebê com um desodorante aerossol.

Fontes ouvidas nesta segunda pela reportagem contaram que o bebê estava internado na unidade de saúde desde o início do mês por conta de uma bronquiolite – doença que atinge o sistema pulmonar e respiratório da criança. “O bebê estava apresentando manchas vermelhas no rosto e nos olhos, e aquilo era estranho, pois não era sintoma da doença. Foram feitos exames, que também não constataram nada, mesmo com o quadro dele se agravando. A mãe, sempre que perguntada se estava dando algo para ele, negava a situação. Até que foi pega no flagra aplicando o desodorante nos olhos e na boca do menino”, contou uma testemunha, que pediu para não ser identificada. Diante da situação, o bebê foi transferido imediatamente para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital, de onde recebeu alta durante o último fim de semana. Ele está com os avós maternos. A mãe dele, diagnosticada com depressão pós-parto, foi denunciada à polícia e teria sido internada no próprio Hospital Vila da Serra para tratar a doença. “Eu já trabalho na área médica durante muito tempo e nunca tinha visto algo parecido. O rosto dele ficou muito vermelho e parecia que estava queimado. Ainda é analisado se ele terá sequelas na visão, mas agora ele já está fora de perigo de morte”, garantiu outra testemunha. Investigação. As investigações estão sob coordenação da delegada Lorena Vaz de Mello, que, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que instaurou inquérito e intimou o corpo médico que acompanhou o caso e familiares para serem ouvidos durante essa semana. A mãe prestará depoimento assim que receber alta. A polícia tenta localizar o pai do menino, que estaria na Itália.

Perigo Aerossol. As embalagens de desodorantes aerossol advertem para o uso do produto em crianças e em lugares fechados, pois podem causar reações alérgicas e até cardiorrespiratórias.

Hospital não se pronuncia O Hospital Vila da Serra não quis informar o estado de saúde da criança e afirmou que aguardará as investigações policiais para se posicionar sobre o caso. Procurados nesta segunda, familiares também se recusaram a comentar o assunto. Representantes dos conselhos tutelares de Nova Lima e de Belo Horizonte afirmam que não foram procurados pelo hospital para prestar auxílio à criança. A Polícia Civil, no entanto, informou que o próprio Vila da Serra acionou o conselho.

Depressão pós-parto Incidência. Segundo Humberto Correia, vice-presidente da Associação Mineira de Psiquiatria, a depressão pós-parto é uma doença que atinge cerca de 15% das mães em todo o mundo, mesma proporção de brasileiras afetadas. Sintomas. As pacientes apresentam sintomas como tristeza, alterações no sono e no apetite, além de pensamentos relacionados à morte. Porém, para ser diagnosticada com a doença, a mulher tem que apresentar os sintomas 15 dias após o parto, com tristeza em intensidade que chegue a comprometer sua vida. Morte. De acordo com o médico, não existe uma explicação científica para a doença, que é tratada com antidepressivos e psicoterapia. Em casos de depressão, o médico afirma que não é comum que a mãe tente matar a criança. Isso acontece devido a outra doença, a psicose pós-parto, que atinge menos de 0,5% das mulheres. “Familiares e equipe médica devem ficar atentos, pois, nesses casos, a mulher tem delírios, podendo comprometer a vida da criança”.

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