Policial aponta arma para a cara de morador do Coração Eucarístico

Universitário da PUC Minas foi surpreendido por uma perseguição policial e acabou entre os suspeitos durante a confusão

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Uma perseguição a um grupo de adolescentes que estava em um carro roubado terminou com tiros e arma apontada por um policial militar para a cara de um morador do bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste de Belo Horizonte, na noite do último sábado (23). O universitário de 23 anos desabafou nas redes sociais após se confundido com os fugitivos.

Conforme o relato do rapaz, que estuda publicidade na PUC Minas,  ele, o namorado e quatro amigas seguiam para um bar por volta das 21h. Na avenida Ressaca, em frente à uma padaria, os amigos se surpreenderam por um carro vindo na contra-mão. "Ele bateu em uma lixeira em cima do meio fio. Pensei que era apenas um acidente, mas foi aí que ouvimos o primeiro tiro e vimos um carro de polícia vindo atrás", lembrou.

Enquanto parte do grupo correu na direção contrária, o universitário e uma de suas amigas, assustados, se agacharam no chão. "Os suspeitos desceram do carro e foram na nossa direção. Quando abri os olhos, um deles estava deitado no chão do meu lado e o outro perto da minha amiga. Eram moleques, estavam tão assustados quanto eu, deu para ver no rosto dele", disse o jovem.

Foi então que o universitário olhou para frente e viu um policial militar com a arma apontada para a sua direção. "O cano da arma estava apontado para a minha cara, pensei que ele ia atirar. Por sorte meu namorado voltou para nos buscar e gritou que a gente estava só passando por lá. Foi então que ouvimos um terceiro tiro. Não sei por que motivo eles dispararam outra vez, ninguém ia fazer mais nada. O PM parecia perdido olhando para a gente no meio daquilo tudo", disse.

Foi somente então que o rapaz levantou com as mãos para o alto e saiu do local. Em seguida moradores de um prédio próximo os convidaram para entrar, onde finalmente puderam se acalmar. "As minhas amigas que correram contaram que os policiais passaram apenas perguntando para onde os suspeitos correram, sem nem perguntar se estava tudo bem com elas", questionou.

O Boletim de Ocorrência

Apesar dos relatos de disparos de arma de fogo e dos momentos de pavor do estudante universitário, morador da região, o Boletim de Ocorrência (BO) registrado pela Polícia Militar (PM) não fala de tiros efetuados pela corporação. O registro aponta que os suspeitos foram avistados por uma viatura passando em alta velocidade na avenida Padre Vieira. Os policiais consultaram a placa e descobriram que se tratava de um Fiat Uno roubado.

Foi então que iniciaram a perseguição, que foi terminar na avenida Ressaca. O veículo teria entrado na contramão e acabou perdendo o controle da direção e batendo em uma lixeira. Os cinco ocupantes teriam tentado fugir, sendo que três deles, dois de 14 anos e um de 17, foram apreendidos no local.

Ainda de acordo com o BO, uma réplica de pistola que teria sido arremessada para fora do carro foi apreendida com os adolescentes, que confirmaram terem roubado o carro uma semana antes. Ainda segundo a PM, os garotos chegaram a afirmar que iam para o Coração Eucarístico para roubar um novo veículo com a arma falsa.

Procurado por O TEMPO para comentar sobre a atuação dos policiais, o comandante do 34º Batalhão da PM, tenente coronel Wanderley Wilson Amaro, afirmou que a pessoa que se sentiu ofendida deve procurá-lo. "Estaremos abertos a conversar e tomar as providências necessárias. A pessoa pode vir até a sede do batalhão, na avenida Américo Vespúcio, no Caiçara, e procurar por mim. Colocaremos tudo no papel e vamos estudar a situação", afirmou.