Funcionários da USP protestam contra entrega de hospitais

A manifestação é contra o projeto do reitor da universidade, Marco Antonio Zago, de entregar dois hospitais da instituição para a Secretaria Estadual de Saúde

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os funcionários da Universidade de São Paulo (USP) fazem um protesto nesta segunda-feira, 25, contra o projeto do reitor da universidade, Marco Antonio Zago, de entregar dois hospitais da instituição - Hospital Universitário (HU/USP) e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP de Bauru - para a Secretaria Estadual de Saúde. Na manhã desta segunda (25), os funcionários fizeram um "abraçaço" no Hospital Universitário, na Cidade Universitário, no Butantã, zona oeste da capital, que completa 33 anos nesta segunda-feira.

Os manifestantes seguiram pela zona oeste até a Faculdade de Saúde Pública e a Faculdade de Medicina na USP, ambas nas Clínicas, onde chegaram por volta do meio-dia. "A gente parou na Faculdade de Saúde Pública para questionar o diretor da unidade, que tem demonstrado apoiar Zago", afirmou a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP Diana Assunção.

Entre os manifestantes estão os alunos da Faculdade de Medicina da USP, que decidiram na sexta-feira, 22, fazer uma paralisação nesta segunda e na terça-feira, 26 - quando o reitor deve apresentar a proposta ao Conselho Universitário da universidade - em protesto contra o projeto da reitoria de desvinculação.

Segundo Diana, o grupo deve seguir para o Cemitério do Araçá, na Avenida Doutor Arnaldo, na zona oeste, onde devem fazer o "enterro de Zago".

Greve

Os funcionários da USP estão em greve há 91 dias contra o congelamento de salários e também contra o corte das remunerações durante a greve. Os funcionários contestam a proposta da reitoria apresentada na semana passada aos diretores de unidade da USP, que inclui a desvinculação de dois hospitais universitários, a venda de imóveis da universidade, um plano de demissão voluntária de funcionários e redução de jornada de servidores técnico-administrativos com consequente redução salarial.

"Devemos convencer e conscientizar cada trabalhador sobre a importância de permanência do Hospital Universitário na USP. Qualquer outro hospital da Secretaria Estadual da Saúde está em situação muito pior", afirmou Claudionor Brandão, outro diretor do Sintusp. "Vinculá-lo à secretaria é sucateá-lo. Se hoje ele tem essa qualidade, é porque pertence à USP. Isso vai resultar em prejuízo aos trabalhadores e à população."

Faculdade de Medicina

Na última sexta-feira (22), os alunos da Faculdade de Medicina fizeram uma assembleia que contou com a presença de cerca de 450 pessoas e decidiram pedir tempo para discutir a medida. Na reunião, também ficou decidida a paralisação das atividades na segunda-feira e terça-feira.

De acordo com o diretor médico do HU/USP, José Pinhata, o tema não foi debatido com a diretoria do hospital e pediu tempo à reitoria para conhecer a proposta. O diretor do HU/USP defendeu ainda que a desvinculação do hospital "irá despatrimoniar parte da USP".

Com isso, Pinha acredita que o hospital vá perder a autonomia na diretriz de ensino. "Será impossível manter excelência em ensino após troca de equipes a preços de funcionários SUS", argumentou.

De acordo com o presidente do Centro Acadêmico de Medicina da USP, Murilo Germano, que é estudante do 3º ano de Medicina, os alunos são contrários à maneira como o processo de desvinculação do hospital está sendo conduzido pela universidade. "Queremos adiar essa decisão no conselho universitário para poder discuti-la", disse.

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