Passo a passo para escolher bem

Cientistas políticos relacionam dados que devem ser observados na hora de decidir o voto

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Em pouco mais de um mês, 15,2 milhões de eleitores mineiros irão às urnas com um desafio semelhante ao de achar uma agulha no palheiro. Apesar de só terem que optar por quatro nomes – um para o Senado, um para a Câmara Federal, um para a Assembleia e outro para Presidência da República – a cartela que terão para seleciona-los é 408 vezes maior. Ao todo, serão 1.633 candidatos disputando essas cadeiras no dia 5 de outubro.

Diante de uma diversidade tão grande de promessas, nomes e partidos é normal que o eleitor fique confuso. Mas, segundo os pesquisadores da área, votar não é uma roleta russa e alguns passos simples podem auxiliar na escolha de um voto consciente.

Acompanhar quem são os doadores de campanha dos candidatos é uma consulta importante e reveladora, segundo o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Manuel Santos.

“O financiamento das campanhas diz muito sobre quais são os grupos e as alianças que sustentam essa candidatura. As empresas que doam sempre têm interesses e esperam uma cooperação do parlamentar ou do presidente depois de eleitos”, afirma Santos.

O professor acrescenta que o eleitor também deve observar o partido e o contexto político que o postulante está inserido. Para ele, é um erro comum hoje das pessoas acreditar que o partido não precisa ter peso nessa decisão.

“Principalmente no Legislativo, os partidos são cruciais. As decisões e aprovações passam por eles. É interessante analisar o voto projetando se o partido é ou será de situação ou oposição. Observe a coligação. Se está dando um voto de continuidade ou mudança”, afirma o professor.

Roberto Ellery, professor da Universidade de Brasília (UnB), recomenda que os eleitores fiquem de olho nas promessas e acompanhem de perto os discursos dos seus candidatos em momentos distintos.

“Eles mudam o discurso conforme o público. Falam uma coisa em um evento do agronegócio, e outro para os ambientalistas. É importante ficar atento. Estão dourando a pílula? Mentindo ou sendo consistentes?”, orienta o professor.

Para Ellery, é preciso fugir do voto “por indicação” ainda muito comum, segundo ele, principalmente no interior, onde os prefeitos costumam indicar em quem os moradores devem votar.

“É preciso saber o que estão propondo, o seu passado. Hoje, ninguém pode alegar falta de informação. Qualquer pesquisa na internet é acessível e de grande valia”, afirma.

Renovação. Diante de um leque com centenas de opções, é natural que a maioria dos postulantes seja desconhecida. Mais natural ainda é o questionamento do eleitorado – que vive um momento de insatisfação generalizada com a política – se deve reeleger alguém que já está no poder ou optar por um novato.

O cientista político da UnB Antônio Flávio Testa afirma que a experiência ou a falta dela não deve ser um critério analisado de forma isolada. “Na teoria, aquele que disputa reeleição tem vantagem, pois já conhece as regras, já tem apoios políticos e contatos que podem ajudar num mandato. Mas, é claro, que é preciso analisar a trajetória e desempenho de cada um dos que tentam a reeleição. O novo pelo novo não diz nada”, afirma Testa.

A reportagem de O TEMPO reuniu as principais recomendações dos especialistas numa espécie de guia, que reúne os caminhos que podem apontar a história, os apoios, e propostas dos candidatos.

Ficha limpa

Seleção. As eleições de 2014 serão as primeiras em que a lei da ficha limpa será aplicada de forma ampla em todo o Brasil. Esta é a primeira grande “peneira” pela qual passam os candidatos.

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