Urbel afirma que só 12% dos moradores precisam de casa

Estudo apontou que alguns dos acampados têm imóveis, carro importado e até empresa

iG Minas Gerais | BERNARDO MIRANDA |

Planejamento. Projeto da prefeitura da capital prevê a construção de 13 mil apartamentos do Minha Casa, Minha Vida na Granja Werneck
Uarlen Valério
Planejamento. Projeto da prefeitura da capital prevê a construção de 13 mil apartamentos do Minha Casa, Minha Vida na Granja Werneck

Apenas 12% dos moradores das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, instaladas no terreno da Granja Werneck, no bairro Zilah Spósito, na região Norte de Belo Horizonte, estariam enquadrados nos critérios exigidos pelo governo federal e pela prefeitura para ser beneficiados pelo programa de habitação Minha Casa, Minha Vida. A constatação está em um levantamento feito pela Companhia Urbanizadora e de Habitação da capital (Urbel), que visitou a região para recolher as informações. Os líderes dos acampamentos, no entanto, questionam os dados e afirmam que o estudo foi realizado sem que se percorressem todas as casas do local.

De acordo com a pesquisa da Urbel, das 2.507 famílias registradas, apenas 300 teriam direito a receber um imóvel do programa federal. A companhia afirma que a maioria dos moradores apresenta pelo menos um impedimento para participar do sorteio dos apartamentos. Entre as condições que geram a restrição estão a renda per capta familiar acima de R$ 1.600, a propriedade de imóveis, o fato de já ter sido beneficiado com outras políticas públicas de habitação e não ser morador de Belo Horizonte.

Em casos mais extremos, segundo a prefeitura, há moradores que têm casa e até quatro veículos em seu nome – um deles importado. Um dos moradores seria sócio de uma empresa que atua na capital. Essas informações foram conseguidas após consultas aos CPFs informados pelas pessoas da ocupação durante o cadastro.

O presidente da Urbel, Genedempsey Bicalho, afirma que essa distorção dificulta a adoção de políticas habitacionais na cidade. “Em uma ocupação, não há como separar o joio do trigo. As pessoas que precisam, nós queremos aqui, se beneficiando dos nossos programas. Agora, o que não pode é uma maioria de pessoas que não se enquadram nos critérios socioeconômicos do Minha Casa, Minha Vida impedir quem realmente precisa ter seu imóvel”, disse.

Negativa. Uma das coordenadoras das ocupações da Granja Werneck, Charlene Egídio garante que a maioria das pessoas está incluída nos critérios do Minha Casa, Minha Vida. “Esse levantamento não ouviu nem metade dos moradores daqui. Temos mais de 8.000 famílias. É um documento que quer criminalizar o nosso movimento. Como em todo lugar, aqui também tem gente querendo levar vantagem. Mas temos nosso regimento interno, e lhe garanto que 99% de quem está aqui precisa realmente de casa”, afirmou.

Defensoria

Inválido. Para a defensora pública Cleide Nepomuceno, o levantamento feito pela prefeitura não é válido para mensurar a realidade dentro da ocupação. Ela questionará o documento na Justiça.

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