Enxugando gelo

iG Minas Gerais |

A quarenta dias das próximas eleições, através das quais o Brasil deveria caminhar para o encontro de propostas e soluções reclamadas como essenciais para a construção de uma nova realidade nacional, as campanhas eleitorais e seus candidatos ainda não conseguiram sensibilizar o eleitorado para a importância histórica desse momento. O eleitor transita entre o Estado de total desencanto e incredulidade para uma outra ponta, na qual ele chega a reagir agressivamente à eventual abordagem que lhe fazem para tomar seu voto. Acham-se represadas decisões inadiáveis e prioritárias no plano econômico, que comprometem a operação da indústria, do comércio, do agronegócio, do setor financeiro, dos investimentos, do fomento. Está engessado o planejamento, com todas as consequências da sua falta. No cenário institucional o Brasil tem demandas fundamentais, algumas já inscritas com marcas de fogo no elenco de reformas que as ruas reclamam através de protestos, de paralisações, ou estão demonstradas no desmando, na corrupção, no desperdício, na falta de gestão e na violência. Todos os dias a imprensa ecoa o debate sobre o financiamento público das campanhas eleitorais e na mesma página lista o rol das empreiteiras, dos bancos, dos frigoríficos, enfim, dos grandes grupos econômicos que colocam suas fichas nas candidaturas que melhor representarão seus interesses particulares. Suas fichas e muito dinheiro. Os candidatos, não importa de que partidos ou coligações, passam ao largo dessa realidade, com seus equívocos, com suas mentiras, sua superficialidade e seu descaso. Há dez dias que no Brasil só se discute a morte do ex-governador e candidato Eduardo Campos. Se o avião era dele, do sócio, se foi fruto de sabotagem a queda da aeronave, porque Marina não embarcou, como ficará o PSB no governo que ainda não ganhou, se a morte de Campos afeta Dilma ou Aécio. Marina virou o estandarte da renovação, ainda que a ex-prefeita Erundina seja sua referência no PSB que lhe alugou uma janela. Renovação de que, porque e quando ninguém sabe. Até porque ela mesma, Marina, não diz. Ela chegou agora, era vice e vice é apenas coadjuvante. Tudo que estava na roda para ser discutido tinha sido colocado pelo programa assinado por Eduardo Campos, com o qual lhe coube apenas concordar. Ao candidato Aécio Neves deram uma trégua com a questão do aeroporto de Cláudio; em compensação, o passaram para o andar de baixo na disputa, já que Marina, a novidade (?), tomou-lhe o segundo lugar.   Os dois nomes de maior expressão na oposição à reeleição da presidente Dilma ainda não apresentaram seus programas, como os executarão, que país receberão e devolverão, nos prazos próprios de todo governo. Mas prometem muito. A presidente Dilma dá expediente no Palácio do Planalto e na campanha eleitoral. Muitas vezes confunde os espaços, governa onde tem que pedir votos e vice-versa. Depende de Dilma majorar a gasolina para salvar a Petrobras e os usineiros de álcool; majorar a conta de luz para salvar as empresas do setor elétrico. De mexer no câmbio para fortalecer as exportações, de subir os juros para conter a inflação e de conter a inflação para salvar o povo. Sobre sua cabeça está a espada empunhada pelos eleitores que a reelegerão, especialmente se ela nada fizer do que o Brasil precisa urgentemente para continuar de pé.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave